Política Paranaense

Postado dia 06/01/2015 às 05:55:08

Com problemas financeiros, Santa Casa de Cianorte ameaça fechar

Administração diz que atendimentos serão suspensos nesta sexta (19). Sete municípios da 13ª Regional de Saúde devem R$ 400 mil ao hospital.

Luciane Cordeiro Do G1 PR

Dívida da Santa Casa  de Cianorte chega a R$ 4 milhões (Foto: Divulgação/ Santa Casa de Cianorte) 
Dívida chega a R$ 4 milhões

A Santa Casa de Cianorte, no noroeste do Paraná, pode fechar as portas nesta sexta-feira (19), caso sete dos onze municípios que compõe a 13ª Regional de Saúde não repassem R$ 400 mil que devem ao hospital.

Segundo a presidente do Conselho Administrativo, Maria Laura Neme, a situação econômica da instituição chegou ao limite: não possui recursos para a compra de remédios ou materiais hospitalares. A dívida da Santa Casa é de aproximadamente R$ 4 milhões, diz ela.

“Os gestores municipais não querem mais colaborar com o hospital, não querem repassar valores adicionais para mantermos o serviço com qualidade. Chegamos ao nosso limite”, pontua Maria Laura Neme.

Segundo a administração do hospital, a quantidade de materiais e medicamentos disponíveis em estoque é suficiente para atender pacientes por apenas quatro dias. “Os fornecedores não querem mais entregar remédios ou materiais porque a dívida está muito alta”, explica a administradora da Santa Casa, Vera Lúcia Herrero Gagliardi.

A Santa Casa de Cianorte atende aproximadamente 130 pacientes por dia. Por mês, são realizados 1,5 mil atendimentos e 1,5 mil sessões de hemodiálise.

A equipe que compõe o Conselho Administrativo assumiu o hospital em junho de 2013. De lá pra cá, realizou duas auditorias e, mensalmente, apresenta relatórios contábeis da gestão. O conselho é formado por médicos, administradores, Ministério Público do Paraná (MP-PR), entidades assistenciais, Associação do Comércio e Indústria de Cianorte (ACIC), e representantes dos municípios.

Na terça-feira (16), a administração da Santa Casa, a Secretaria Estadual de Saúde e a Prefeitura de Cianorte, município gestor do hospital, realizaram uma reunião para encontrar uma solução para o impasse finaceiro. O Governo do Estado firmou compromisso de repassar duas das seis parcelas que estavam atrasadas, do convênio Hospisus, totalizando R$ 134 mil, e deve acelerar a aprovação de um convênio de R$ 90 mil.

Já a Prefeitura de Cianorte disse, na mesma reunião, segundo o conselho administrativo do hospital, que só repassaria mais recursos, oriundos do Ministério da Saúde, se o conselho administrativo fosse destituído. Segundo a presidente do conselho, Maria Laura Neme, o gestor afirmou que não confiava nos gestores do hospital. Os administradores da institução pediram demissão, mas devem ficar nos cargos até o dia 17 de janeiro a pedido do MP-PR.

O promotor e curador da Santa Casa, Julio Cesar Silva, aponta ainda outros problemas que o hospital precisa administrar. “O hospital não vai conseguir pagar os 13° salários dos funcionários e os contratos de médicos que atendem no pronto-atendimento vencem no dia 30 de dezembro”, pontua.

“Os salários dos médicos também estão atrasados e os profissionais não querem mais trabalhar enquanto não receberem”, acrescenta o promotor. Os contratos com aproximadamente 20 médicos, foram firmados entre a Prefeitura de Cianorte e a Santa Casa. No ínicio, os contratos valiam por um ano, mas em novembro, de acordo com o hospital, os documentos foram reavaliados e passaram a ter prazo de apenas dois meses.

Conforme Silva as contas da instituição são transparentes e estão disponíveis para todos os gestores municipais. “Falta vontade política para desenvolver o setor da saúde. Enquanto os prefeitos não valorizarem e investirem na área, a população vai sofrer as consequências.  Infelizmente, a situação chegou a esse ponto por falta de diálogo e conscientização dos gestores municipais”, alega o promotor.

O prefeito de Cianorte, Claudemir Bongiorno, ao contrário do que diz o hospital, afirma que a polêmica começou depois que os municípios que têm Santa Casa sinalizaram que colocariam um fiscal para gerir os recursos que o hospital recebe do governo estadual. "Até ontem, não tinha nada. Quando o o governo estadual propôs aumentar o repasse para R$ 96 mil, ficou acordado que os municípios colocariam um fiscal dentro do hospital para controlar as contas", explica.

Bongiorno diz que não acredita que, mesmo com a crise financeira, o hospital feche as portas a partir da sexta-feira (18). "Quero acreditar que isso não vai acontecer. A Santa Casa sempre teve nosso apoio. Nunca se repassou tanto recurso como se repassa agora. Não acredito que vá fechar, mesmo porque eles também têmn responsabilidade", comenta.


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