Norte do Paraná

Postado dia 14/03/2019 às 01:38:30

Polícia tenta rastrear R$ 1 milhão desviado do Hospital Universitário de Londrina

 Esquema de corrupção envolvia servidora da instituição que morreu em outubro de 2018, segundo autoridades policiais.

A Polícia Civil quer rastrear o caminho do dinheiro que foi desviado do Hospital Universitário (HU) de Londrina, no norte do Paraná. As investigações culminaram em uma operação deflagrada na terça-feira (12), que cumpriu mandados de busca e apreensão e sequestros de bens. A polícia quer saber se tem mais envolvidos no esquema e tentar recuperar parte do patrimônio.

A investigação iniciou após denúncias feitas ao Tribunal de Contas do Estado (TCE), que abriu um procedimento para apurar as supostas irregularidades

Relatórios do TCE mapearam os profissionais contratados pelas empresas investigadas. Foram identificados 12 médicos que tinham vínculo efetivo ou temporário com o HU, mas também prestariam serviços para duas empresas ligadas ao esquema de corrupção.

A Polícia Civil apura agora se estes médicos tiveram nomes usados indevidamente.

O inquérito descobriu adulterações em controles de frequência, em 2016 e 2017, para permitir pagamentos indevidos que somados passaram de mais de R$ 1 milhão.

Segundo a polícia civil, as empresas foram abertas para intermediar a contratação de médicos para atendimento no hospital. Eram profissionais que ajudariam a compor as escalas do hospital.

Uma destas empresas está em nome de parentes de Lucélia Ferreira, que era secretária da Diretoria Clínica. Ela desapareceu em outubro de 2018 horas antes de uma reunião que iria discutir as supostas irregularidades. O corpo dela foi encontrado um dia depois às margens do Rio Paranapanema. Perícias que podem definir se ela se matou ou se foi assassinada ainda não foram concluídas.

A Polícia Civil aponta Lucélia como chefe do esquema de corrupção. Depoimentos como o da atual diretora do HU, Vivian Feijó, reforçam este entendimento. Ela nega envolvimento de outros setores do hospital.

"Todos os pleitos da licitação aconteceram de forma legal, dentro dos procedimentos administrativos da universidade. Mas, esta parte técnica, minuciosa, de controle, quem faz é a secretária, no cotidiano, no dia a dia", disse.

As suspeitas em relação a Lucélia cresceram com a movimentação financeira atípica da família dela.

Inquérito da Polícia Civil aponta que ela possuía proximamente 20 cartões bancários, com limites altos, tinha aproximadamente R$10 mil em dinheiro na residência, além de ser proprietária de empresa e possuir patrimônio, em tese, incompatível com seus vencimentos.

A Justiça determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal do viúvo de Lucélia, de um filho, um genro e do irmão de um genro. A intenção é rastrear os investimentos financeiros da família.

Três carros que, segundo a polícia, podem ter sido comprados com dinheiro de corrupção, foram apreendidos.

Desde a morte da servidora, o viúvo passou a receber pensão do governo do estado. O valor passa dos R$ 6.600 por mês.

O pagamento está mantido, mas pode ser cancelado se o viúvo for condenado no processo que apura o esquema de corrupção.

Ao todo, oito pessoas estão sendo investigadas por desvio de recursos públicos, falsificação de documentos, organização criminosa, fraude em licitação e lavagem de dinheiro.

A lista de investigados inclui também a médica Jamile Santos Silva. Na terça-feira foram feitas buscas na casa dela a procura de documentos. Ela é dona de uma das empresas que intermediavam a contratação de médicos para o HU.

Além da Polícia Civil e do TCE, a Universidade Estadual de Londrina (UEL) também abriu procedimentos para apurar as supostas irregularidades.

"Depois de encerrados os processos administrativos disciplinares, nós vamos acionar essas empresas e fraudadores para que eles reponham o erário público, porque é dinheiro da saúde pública, das pessoas e dos contribuintes do Paraná que foram desviados", disse o reitor Sérgio de Carvalho. 

O que dizem as defesas 

Por meio de nota,a diretora superintendente Vivian Biazon El Reda Feijó disse que a direção do hospital busca elucidar os fatos relacionados à denúncia, vem desenvolvendo ações gerenciais junto aos órgãos de fiscalização da universidade e está colaborando com o inquérito policial.

A defesa que representa os parentes da Lucélia Ferreira, servidora do hospital universitário, que morreu em outubro e é apontada como a líder do esquema pela polícia, disse que não vai se manifestar nesse momento porque não teve acesso ao inquérito. A advogada disse que o marido, o filho e o genro da servidora, ainda não foram ouvidos pela polícia.

O TCE afirmou que o órgão está instaurando a tomada de contas extraordinária para continuar a apuração da irregularidade levantada.

Outros investigados não têm advogados constituídos no caso.

do G1

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