Norte do Paraná

Postado dia 22/02/2026 às 18:38:04

Professores e trabalhadores da Educação municipal pedem socorro em Assaí

A insatisfação entre professores e funcionários da rede municipal de educação de Assaí (PR) tem crescido diante de uma série de problemas estruturais e administrativos que, segundo eles, comprometem tanto a qualidade do ensino quanto a dignidade profissional. Em conversas com familiares e com colegas de trabalho, o pedido é claro: socorro.

Piso salarial abaixo do mínimo legal

A tabela de vencimentos da educação em Assaí inicia abaixo do piso nacional do magistério. O reajuste só ocorre na 17ª referência da tabela, o que significa que muitos professores permanecem anos recebendo menos do que deveriam. Além disso, após o período probatório de três anos, não há elevação automática de nível. Mesmo com requerimentos formais, há relatos de atrasos de até um ano para que a progressão seja reconhecida.

Licença-prêmio restrita

Outro ponto de contestação é a licença-prêmio. Por lei, trata-se de um direito do servidor, mas a Secretaria de Educação tem restringido sua concessão apenas a casos de tratamento médico. Funcionários relatam que, mesmo após cirurgias e com atestados médicos, não conseguem usufruir da licença e são obrigados a recorrer ao INSS, enfrentando filas e períodos sem remuneração justamente nos momentos de maior fragilidade.

Jornada de trabalho desrespeitada

A legislação prevê seis horas de atividades extraclasse para professores concursados. Em Assaí, no entanto, são concedidas apenas cinco – e, em alguns casos, nem isso. Com o quadro defasado, diretoras e coordenadoras precisam assumir turmas, acumulando funções administrativas e pedagógicas. O resultado é sobrecarga e perda de direitos para os docentes.

Falta de professores e auxiliares

Enquanto cidades menores conseguem manter professores auxiliares e até professores “piloto” em sala, Assaí enfrenta escassez. Apesar de haver concurso vigente, mais de 30 professores estão contratados com “dobras” (segundo período), sem auxiliares sequer nas turmas de alfabetização. Quando um docente se ausenta, coordenadoras e diretoras precisam substituir, acumulando responsabilidades.

Estrutura precária

Além dos salários defasados, os profissionais enfrentam condições de trabalho precárias: computadores antigos, internet instável, cotas de impressão que limitam a produção de materiais pedagógicos. Muitos professores acabam imprimindo atividades em casa para garantir que os alunos não fiquem sem conteúdo.

Saúde mental negligenciada

A lei nacional de saúde mental prevê atenção especial aos trabalhadores da educação, mas em Assaí a situação é crítica. O município conta com apenas uma psicóloga para atender toda a rede, sem cronograma claro de visitas às escolas. Se nem os alunos – prioridade absoluta – recebem acompanhamento psicológico adequado, o que acontece com professores que enfrentam crises de ansiedade, depressão ou pânico?

Chamado ao prefeito

Diante desse cenário, professores e funcionários pedem que o prefeito realize uma consulta pública com o corpo docente para avaliar a gestão da Secretaria de Educação. A categoria quer ser ouvida e exige transparência sobre políticas de valorização, saúde mental e condições de trabalho.


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