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Norte do Paraná
Postado dia 08/06/2026 às 22:20:49
Da falácia do Escritório de Extensão da UEL em Assaí
Quando se fala em eficiência de investimentos em políticas públicas, não se pode mesmo levar a sério governantes do Brasil, a exemplo de Ratinho Junior (PSD), do Paraná.
Nessa segunda-feira (8), o governador esteve em Assaí, no Norte do Estado, para inauguração do Escritório de Extensão da Universidade Estadual de Londrina (UEL), a primeira unidade permanente da instituição instalada fora da cidade-sede. Segundo divulgação institucional, a iniciativa reforça a política estadual de interiorização do ensino superior e amplia a presença da universidade em uma região que se destaca pela inovação, educação pública e desenvolvimento regional.
O governo estadual considera que, além das ações extensionistas, o Escritório de Extensão é visto como um embrião para a ampliação futura da atuação acadêmica da UEL no município. Entre as demandas já apresentadas pela administração municipal está a implantação do curso de Administração, proposta que dependerá de estudos técnicos e das aprovações institucionais necessárias.
É de se perguntar então qual o impacto de um futuro curso de Administração para uma cidade que se considera inovadora, supostamente a primeira da América Latina a receber a certificação de Comunidade Inteligente concedida pelo Fórum Global de Comunidades Inteligentes (ICF), após dois anos consecutivos entre as sete comunidades mais inteligentes do mundo.
A dificuldade de Assaí - com seus 14 mil habitantes - se consolidar como polo regional não será resolvida com um curso de Administração genérico e presencial. O curso se mostra desvalorizado, saturado e amplamente ofertado na modalidade EAD, o que tira qualquer diferencial competitivo para atrair estudantes de outras localidades. Sem um diferencial claro (como ênfase em gestão de cidades inteligentes, dados ou inovação pública), a formação em Administração não dialoga com o discurso de comunidade inteligente e inovadora que o próprio município ostenta. Assim, o risco se apresenta alto, por investir recursos públicos em um curso de baixo impacto estratégico, mantendo uma visão provinciana que confunde presença universitária com desenvolvimento real.
Dessa forma, retorna-se à falácia inicial do Escritório de Extensão da UEL em Assaí: o governo estadual e a prefeitura vendem como política de interiorização e inovação um embrião vazio de conteúdo transformador. Sem uma visão que priorize cursos de fato alinhados às necessidades de uma economia de pequeno porte e ao potencial tecnológico da cidade (como gestão de dados, tecnologia aplicada a serviços públicos ou agronegócio 4.0), o escritório será apenas mais um cabide de promessas. A lição tem contornos bem claris: em política pública para municípios pequenos, eficiência não se mede por inauguração, mas por coerência entre o discurso inovador e a formação realmente ofertada.




