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Política
Postado dia 24/03/2026 às 14:42:35
Ratinho Junior pede mais tempo para 'vender' o Paraná
O governador Ratinho Junior (PSD) anunciou no último domingo (22) a desistência de sua pré-candidatura à Presidência da República, decisão que, segundo comunicado oficial, visa “concluir o mandato no Paraná até dezembro” e manter “o compromisso selado com os paranaenses” . Com mais tempo à frente do governo, o chefe do Executivo estadual poderá se dedicar integralmente à sua agenda de privatizações, que já incluiu a venda do controle da Copel (transformada em companhia de capital disperso em 2023), a privatização da Sercomtel, a concessão de rodovias e a entrega de escolas à iniciativa privada, além de avançar com a desestatização da Sanepar — movimento que críticos apontam como parte de um projeto de enxugamento do Estado paranaense .
A agenda privatista do governador, contudo, ocorre em meio a questionamentos que envolvem seu entorno e o setor privado. O ex-governador Roberto Requião levantou publicamente suspeitas sobre a modelagem da venda da Copel, afirmando que o processo teria sido estruturado pelo Banco Master — instituição liquidada pelo Banco Central em novembro de 2025 — e mencionou a participação do investidor Nelson Tanure, apontado em investigações da Polícia Federal como “sócio oculto” do banco. Tanure, que adquiriu ativos estratégicos como a Copel Telecom (rebatizada Liga Telecom), viu seu império financeiro desmoronar após a liquidação do Master, com credores executando garantias e assumindo o controle de empresas como a Aliança Saúde. Aliados de Ratinho reconhecem que o “caso Master” já é explorado por adversários como o PT para desgastar a gestão, e a preocupação com uma eventual revisão de decisões foi um dos fatores que pesaram na desistência da candidatura presidencial .
Com o mandato se encerrando em dezembro, Ratinho Junior já anunciou que pretende “voltar ao setor privado e presidir o Grupo de Comunicação criado pelo pai, o apresentador Ratinho”. O vínculo entre sua trajetória política e os negócios privados que o aguardam — somado às conexões recentes com atores centrais do escândalo do Banco Master e negócios da família — levanta questionamentos sobre como a agenda de transferência de ativos públicos para a iniciativa privada pode, na prática, pavimentar a transição do governador de volta aos negócios. Não há quarentena que apague a percepção de que os frutos da política podem ser colhidos no balcão do setor privado.




