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Política
Postado dia 12/04/2026 às 11:39:30
Entre certificação de 'Cidade Inteligente' e o encolhimento populacional de Assaí
O cenário observado na cidade de Assaí (PR) ilustra uma verdade fundamental para a economia urbana. O investimento público, principalmente da parte da prefeitura, por mais significativo que seja, não sustenta o desenvolvimento de uma cidade sozinha. Uma cidade inteligente de fato não é aquela que apenas possui lixeiras ou bengalas tecnológicas, que constrói escolas, pavimenta ruas e avenidas, mas sim a que consegue gerar empregos de qualidade através de empreendimentos comerciais e industriais robustos. Sem a iniciativa privada para gerar renda e oportunidades, a cidade corre o risco de se tornar um "palco vazio" – bonito, revitalizado e tecnológico, mas sem pessoas para usufruir ou movimentar a economia local.
Enquanto a gestão Tuti Bomtempo (PSD) comemora prêmios internacionais de inovação e executa obras de infraestrutura, os dados do IBGE apontam uma realidade preocupante. Assaí, no Norte do Paraná, perdeu mais de 15% de sua população em pouco mais de uma década, caindo de cerca de 16 mil habitantes em 2010 para 13.797 no Censo de 2022. As estimativas para 2025 projetam nova retração, para 13.477 pessoas, o que já coloca o município em uma lista restrita de cidades que perderão recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) a partir de 2026.
Entre as principais obras anunciadas recentemente ou em execução pela administração municipal, destaca-se um programa de pavimentação asfáltica que ultrapassa R$ 4,8 milhões, levando asfalto, piso tátil e acessibilidade a diversas vias. Simultaneamente, o centro histórico passa por uma revitalização de quase R$ 2 milhões, financiada com recursos próprios, que inclui a construção de uma fonte interativa na Praça da Igreja São José. Em março de 2026, a prefeitura celebrou ainda o título de primeira "Comunidade Inteligente" certificada da América Latina.
A lição que fica para Assaí e para outras cidades brasileiras é clara. Infraestrutura representa uma ferramenta necessária, mas o motor do desenvolvimento econômico sustentável ainda é, e sempre será, o investimento privado. Sem a atração de empresas, comércios e indústrias que gerem emprego e renda de forma consistente, o poder público corre o risco de investir em vitrines que não seguram a população jovem nem atraem novos moradores, tornando o rótulo de "cidade inteligente" um mero adorno diante do encolhimento demográfico.




