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Política
Postado dia 14/04/2026 às 03:03:35
Possíveis casos de corrupção tiram Guto Silva e Ratinho Júnior da eleição 2026
Das atuais preocupações do eleitor brasileiro nesse ano estão segurança pública e corrupção. Com a desistência então dos pré-candidatos Ratinho Júnior, à Presidência da República, e Guto Silva, ao governo do Paraná, eles ficarão um pouco mais livres de cobranças sobre alguns malfeitos, conforme recentes especulações pela mídia estadual e nacional.
O principal fio condutor das suspeitas é a relação do governo paranaense com o extinto Banco Master, cujo dono, Daniel Vorcaro, está preso. Empresas do Grupo Massa, pertencentes ao apresentador Ratinho (pai do governador do PSD), receberam R$ 24 milhões da instituição entre 2022 e 2025. O grupo justifica os valores como contratos publicitários legítimos, mas o fato expõe um vínculo financeiro direto entre a família do governador e o banco investigado por fraudes bilionárias.
A privatização da Copel Telecom, em 2020, também está na mira. O fundo do empresário Nelson Tanure, que tem ligações com o Banco Master, arrematou a estatal por R$ 2,3 bilhões. Anos depois, a Polícia Federal passou a investigar Tanure justamente por seu envolvimento com Vorcaro. O ex-governador Roberto Requião já questionou publicamente qual seria a ligação entre Ratinho Júnior e Tanure para que a venda fosse feita àquele grupo. Além disso, o Fundo Bordeaux, ligado a Tanure, havia vencido o leilão de venda da Sercomtel, pertencente à prefeitura de Londrina e à Copel, com a promessa de realizar um aporte de R$ 130 milhões para capitalização e recuperação da empresa. No entanto, descobriu-se que isso realmente não aconteceu.
Outro alvo de controvérsias vem o programa de videomonitoramento "Olho Vivo", carro-chefe da segurança pública estadual. Documentos oficiais mostram que o governo já articulava a instalação das câmeras meses antes da abertura do pregão bilionário de R$ 580 milhões, o que pode configurar a prática ilegal de "fato consumado" em licitações. Guto Silva, então secretário estadual de Cidades, terá que se explicar, já que participou ativamente das discussões sobre o modelo tecnológico do programa.
Além disso, a empresa PROC Group, sediada em Pato Branco (base eleitoral de Guto Silva), declarou ter assinado um contrato com o governo para fornecer tecnologia ao "Olho Vivo". No entanto, o Portal da Transparência não registra este contrato, gerando um vácuo de informações que o ex-secretário terá que esclarecer. Nos bastidores, seu nome também é associado a episódios controversos envolvendo a Sanepar e a suposta existência de gravações que complicariam ainda mais sua situação política.
O governador também teria que explicar sobre a utilização de estrutura do Porto de Paranaguá em esquema do crime organizado (PCC), a partir da importação de metanol irregularmente voltado à adulteração de combustíveis. Deflagrada em agosto de 2025, a Operação Carbono Oculto havia descoberto que metanol entrava no Brasil por aquele terminal portuário com documentação falsa, indicando que seria utilizado por indústrias químicas ou de biodiesel. O produto era também desviado para postos de combustíveis, principalmente na Grande São Paulo e região de Curitiba, onde chegava a compor 50% da gasolina vendida, superando amplamente o limite legal de 0,5% da ANP.
Em meio a investigações de ligações da fintech BK Instituição de Pagamento S.A. (BK Bank) com o crime organizado, após operações da Polícia Federal e da Receita Federal, o Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) havia suspendido licitação vencida por aquela empresa. A BK BANK tinha vencido um pregão de R$ 108 milhões para administrar o Cartão Comida Boa, do governo estadual.
Com a desistência então das candidaturas, Ratinho Júnior e Guto Silva evitam o desgaste de ter que responder publicamente sobre esses casos durante a campanha eleitoral. Resta saber se, longe das urnas, eles conseguirão dar as explicações que a população e os órgãos de controle exigem.




