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Política
Postado dia 19/04/2026 às 11:20:42
PT terá candidatos em 10 Estados, e fecha com aliados para salvar Lula
Diante do crescimento acelerado da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) e da pressão por palanques fortes, o Partido dos Trabalhadores (PT) adotou um pragmatismo radical para garantir a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A estratégia resultou na decisão de lançar candidatos próprios ao governo em apenas dez Estados — o menor número das últimas quatro eleições —, enquanto fecha alianças em 22 das 27 unidades da federação, muitas delas com partidos de centro-direita, como PP, União Brasil e MDB.
No Nordeste, berço eleitoral de Lula, o PT equilibra apoios formais e informais. Em Pernambuco, a aliança oficial será com João Campos (PSB), mas o presidente mantém boa relação com a governadora Raquel Lyra (PSD). Na Paraíba, o partido apoia Lucas Ribeiro (PP), embora Lula tenha trânsito com o adversário Cícero Lucena (MDB). No Amapá, o PT fecha com o União Brasil pela reeleição de Clécio Luís; no Sergipe, o apoio a Fábio Mitidieri (PSD) é provável, mas enfrenta divisões internas. No Pará e em Alagoas, as alianças são com o MDB, com Hana Ghassan e Renan Filho, respectivamente.
Na Região Sul, o cenário é desafiador para o PT justamente porque o PL tem suas candidaturas mais organizadas. No Rio Grande do Sul, o PT abriu mão de candidatura própria pela primeira vez na história para apoiar Juliana Brizola (PDT), cedendo à pressão da direção nacional. Enquanto isso, a direita se uniu no estado: Flávio Bolsonaro esteve em Porto Alegre para sacramentar uma ampla aliança que reúne PL, PP, Novo, Republicanos e Podemos, com Luciano Zucco (PL) como candidato ao governo. No Paraná, o PL lidera com Sérgio Moro, cuja filiação foi articulada por Flávio. Em Santa Catarina, o governador Jorginho Mello (PL) tenta a reeleição com força. O PT, nesses dois estados, ainda busca composições de menor porte para tentar minimizar os danos.
Nos maiores colégios eleitorais, a situação é delicada: em São Paulo, Lula montou uma chapa de peso com Fernando Haddad (PT) ao governo, Simone Tebet (MDB) e Marina Silva (Rede) ao Senado, mais Geraldo Alckmin (PSB) como vice nacional. Em Minas Gerais, porém, a esquerda é um deserto sem a confirmação da candidatura de Rodrigo Pacheco (PSB), enquanto a direita também patina para definir seu palanque.
Enquanto o PT avança no pragmatismo, o PL — que terá candidatos próprios em pelo menos 12 Estados — enfrenta dificuldades para se consolidar no Nordeste e sofre com a rigidez ideológica de parte da base bolsonarista. A corrida por alianças, que se acelera às vésperas das convenções de julho, é vista como fator de desequilíbrio numa disputa que promete ser tão acirrada quanto a de 2022. Lula, ciente de que qualquer deslize em colégios eleitorais importantes pode definir a eleição, resumiu a ordem aos seus comandados: "Precisamos compor e decidir se a gente quer ganhar ou perder".




