Política

Postado dia 22/04/2026 às 12:32:57

Partido Liberal aposta em novos puxadores de votos em São Paulo

Com a saída dos três principais puxadores de votos do PL paulista para deputado federal nas eleições de 2026 – Eduardo Bolsonaro, Carla Zambelli e Ricardo Salles –, o partido aposta em novos nomes para tentar preencher um vácuo de aproximadamente 2 milhões de votos. Os três tradicionais somaram 2.328.863 votos em 2022: Carla Zambelli foi a terceira candidata à Câmara mais votada do país, com 946.244 votos, seguida por Eduardo Bolsonaro, com 741.701 votos, e Ricardo Salles, com 640.918 votos. Enquanto isso, as novas apostas do PL – Rosana Valle, Renato Bolsonaro e Lucas Pavanato – somam, no máximo, cerca de 400 mil votos considerando seus melhores desempenhos anteriores, o que evidencia um desafio expressivo de recomposição eleitoral.

O perfil dos três candidatos tradicionais era marcado pela projeção nacional e pela forte polarização. Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, alega perseguição do Supremo Tribunal Federal e permanece nos Estados Unidos. Carla Zambelli foi presa na Itália após condenação no STF por invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça. Já Ricardo Salles trocou de partido e disputará o Senado pelo Novo. Todos eles tinham grande capilaridade e acesso direto ao eleitorado bolsonarista mais fiel, convertendo seguidores em votos de forma eficiente – Zambelli, por exemplo, tinha cerca de 5 milhões de seguidores e obteve 946 mil votos, uma taxa de conversão de aproximadamente 18,9%.

Em contrapartida, os novos nomes ainda são apostas com votação modesta e perfis distintos. A deputada federal Rosana Valle, reeleita com 216.437 votos, é aliada de Michelle Bolsonaro e presidente estadual do PL Mulher, apostando na força do voto feminino e na atuação institucional na Baixada Santista. Renato Bolsonaro, irmão mais novo do ex-presidente, carrega o sobrenome, mas nunca disputou uma eleição majoritária, dependendo inteiramente da transferência de votos do irmão Jair Bolsonaro para conquistar espaço. Já Lucas Pavanato, vereador de 28 anos e ex-MBL, foi o candidato a vereador mais votado do país em 2024, com 161.386 votos na capital paulista, e possui cerca de 7,5 milhões de seguidores no TikTok e Instagram – um fenômeno digital. No entanto, sua taxa de conversão de seguidores em votos é baixa (cerca de 2,1%), muito inferior à dos tradicionais, e sua base eleitoral está concentrada na cidade de São Paulo, sem capilaridade no interior do estado.

Outro fator relevante é a pulverização dos votos. Rosana Valle admite que os votos deixados pelos antigos puxadores não serão concentrados em um único nome, mas sim distribuídos entre vários candidatos de direita, inclusive de outros partidos. Renato Bolsonaro calcula que quatro deputados federais que não estarão mais na disputa pelo PL – ele inclui além dos três tradicionais o nome de Guilherme Derrite, que migrou para o Progressistas como pré-candidato ao Senado – somavam aproximadamente 3 milhões de votos, o que representa cerca de 10 cadeiras no Congresso Nacional. Essa perda coloca o PL paulista diante de um desafio estrutural: os novos nomes, embora promissores, ainda não demonstraram capacidade de atingir individualmente os patamares dos antigos puxadores, e o partido corre o risco de perder vagas proporcionais caso a votação total da legenda não se mantenha alta. A aposta, portanto, recai sobre a combinação de três fatores: o voto feminino encabeçado por Rosana Valle, o peso do sobrenome Bolsonaro com Renato, e a força digital de Lucas Pavanato, mas o sucesso dessa estratégia só será conhecido nas urnas em 2026.


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