Política

Postado dia 15/06/2026 às 15:26:15

Deputado Filipe Barros agiu para beneficiar Master e pressionar Banco Central

Levantamento publicado pela jornalista Malu Gaspar, no jornal O Globo, em junho de 2026, revelou que o deputado federal Filipe Barros (PL-PR) utilizou seu mandato e a presidência da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN) da Câmara para pautar medidas que beneficiariam diretamente o Banco Master. A atuação teria ocorrido em um período crítico, quando a instituição tentava ser vendida ao Banco de Brasília (BRB) e enfrentava crescentes questionamentos do Banco Central (BC) e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Segundo a apuração, que analisou dados públicos, foram sete requerimentos, um projeto de lei e uma audiência pública entre novembro de 2024 e setembro de 2025 — justamente o período em que a situação do Master se agravava e seu fundador, Daniel Vorcaro, atuava para conseguir mudanças regulatórias que o favorecessem.

Projeto de Lei para Elevar o FGC

A primeira medida foi a apresentação do Projeto de Lei 4395/2024, em 14 de novembro de 2024, propondo o aumento do limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 milhões para R$ 1 milhão. O texto era idêntico à chamada "emenda Master" que o senador Ciro Nogueira (PP-PI) tentara incluir em uma PEC no Senado, mas que acabou rejeitada pelo relator Plínio Valério (PSDB-AM), sob a justificativa de que uma mudança tão sensível deveria ser feita por projeto de lei.

O FGC era a base do modelo de negócios do Master, que prometia taxas de retorno acima do mercado, e elevar o limite da garantia ampliaria a segurança para os investidores do banco.

Em 3 de fevereiro de 2026, o PL foi retirado pelo próprio autor. Questionado, Filipe Barros afirmou que a proposta visava proteger pequenos investidores e que ele sempre defendeu as investigações sobre o Master.

Pressões sobre o BC e a CVM na CREDN

Enquanto presidia a CREDN — comissão que trata de temas de soberania e relações internacionais, sem conexão direta com assuntos do mercado financeiro doméstico — o deputado promoveu audiências públicas para cobrar esclarecimentos das autoridades reguladoras.

Em julho de 2025, convocou o presidente da CVM, João Pedro Barroso do Nascimento, para prestar esclarecimentos sobre um possível conflito de interesses.

Ainda na CREDN, Filipe Barros aprovou requerimentos para convidar o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o próprio Daniel Vorcaro para depor, gerando um ambiente de pressão sobre os órgãos que na época analisavam a compra do Master pelo BRB,.

 

 


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