Norte do Paraná

Postado dia 18/06/2026 às 02:39:48

Reclamação de mães expõe falhas no acesso a medicamentos em Assaí

A retirada de medicamentos na farmácia municipal de Assaí (PR) voltou a ser alvo de críticas de moradores. Nesta quarta-feira (17/06), duas mães relataram dificuldades para garantir remédios e insumos essenciais para seus filhos, apesar de apresentarem receitas médicas e cumprirem exigências burocráticas.

A jovem Letícia Selepenski, mãe de criança de 4 anos, denunciou que teve o acesso a medicamento negado. Segundo ela, mesmo apresentando prescrição da neuropediatra que acompanha o filho desde 1 ano de idade, teve a informação que seria necessário passar por uma avaliação da equipe municipal para confirmar a necessidade do remédio.

“Meu filho precisa passar por uma avaliação com o município para ver se realmente precisa de uma medicação que foi prescrita por uma profissional especializada?”, questionou.

Letícia destacou que a exigência não havia sido previamente informada e que, diante da negativa, precisou comprar o medicamento por R$ 85, valor suficiente apenas para uma semana de tratamento. Ela lembrou que a Lei nº 13.021/2014 garante às farmácias municipais o papel de estabelecimentos de saúde, não podendo negar medicamentos padronizados e receitados pelo SUS.

Apesar da insatisfação, ressaltou que foi bem atendida pela funcionária da farmácia, que apenas cumpria ordens superiores. Em tom de desabafo, criticou a falta de suporte para famílias neurodivergentes e os custos adicionais enfrentados pelos moradores, como o pedágio de R$ 35 para deslocamentos até Londrina.

Entre discurso e prática 

A mãe Luma Menengolo também relatou problemas semelhantes, desta vez relacionados ao fornecimento de leite especial para sua filha. Segundo ela, mesmo com receita pediátrica, cadastro único e aprovação em assembleia, conseguiu retirar apenas duas das quatro latas semanais a que teria direito.

“O secretário disse em live que não faltaria nada e o que mais vejo é faltando leite e principalmente medicamentos. Agora dinheiro para telão e viagem internacional tem de sobra”, criticou.

O leite custa mais de R$ 100 por lata, valor que pesa no orçamento familiar. Luma apontou contradições entre os discursos oficiais e a realidade enfrentada pelas famílias.

Contexto mais amplo

As reclamações reforçam críticas já feitas por vereadores e moradores contra o sistema Gov.Assaí, que exige cadastros e avaliações adicionais para liberar medicamentos e insumos. A população denuncia que tais medidas burocráticas acabam restringindo o acesso a tratamentos básicos, especialmente para famílias de baixa renda.

Os relatos de Letícia e Luma evidenciam um problema recorrente: a distância entre as normas impostas pela gestão municipal e as necessidades urgentes da população. Enquanto os discursos oficiais prometem eficiência e modernização, mães seguem arcando com custos elevados para garantir o direito à saúde de seus filhos.


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