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Postado dia 25/07/2026 às 13:00:06

Espanha em chamas, Ribeirão Preto submersa: os dois lados de uma mesma crise climática

Enquanto a Espanha enfrenta sua pior temporada de incêndios em 2026, com mais de 100 mil hectares devastados e 12 mortos na província de Almería, Ribeirão Preto, no interior paulista, assiste suas ruas virarem rios de lama. Na Europa, as chamas forçaram a evacuação de 34 cidades. No Brasil, uma tempestade de apenas 20 minutos expôs a fragilidade de uma cidade que, segundo seus moradores, há tempos ignora os alertas ambientais. A conexão entre os dois eventos é a assinatura das mudanças climáticas — um fenômeno global que atinge com mais violência quem se recusa a se preparar.

A artista, pedagoga, multiartista e escritora, autora do livro infantil "As Incríveis Crianças Biomas", Aline Neli, que testemunhou o caos em Ribeirão Preto, traça um paralelo entre o descaso local e a tragédia espanhola. Durante um congresso na Universidade de Salamanca, dias antes, ela alertou: "Disse que Ribeirão não suportaria 25 minutos de tempestade". A fala virou profecia. O temporal de 24 de julho, com ventos de 70 km/h, derrubou árvores, destelhou imóveis e deixou 80% da população sem água, energia e internet. O que Aline descreve como uma cidade que "derreteu" é o mesmo diagnóstico que os cientistas fazem sobre a Europa: o aquecimento global não é ameaça futura, mas realidade presente. Na Espanha, o calor extremo alimenta o fogo; em Ribeirão, a falta de planejamento urbano transforma uma chuva forte em catástrofe social.

Além dos estragos materiais — como o desabamento do teto do Hospital das Clínicas —, o temporal revelou uma crise de governança. "Cansei de tentar ser escutada nessa cidade de Dogville", desabafa Aline, referindo-se à gestão que, em sua visão, privilegia o agronegócio em detrimento da proteção de pessoas e da biodiversidade. Sua pergunta — "Cadê o reflorestamento urbano com foco na vegetação nativa?" — ecoa a crítica de especialistas europeus, que apontam que o continente está "lamentavelmente despreparado" para as ondas de calor. Enquanto a Espanha mobiliza bombeiros, Ribeirão parece se render à "ausência de sonhos" que Aline menciona, uma cidade que, para ela, "morreu dentro de mim".

O lamento da artista é também um alerta: "Quando Ribeirão e as cidades brasileiras vão trabalhar de verdade com foco nas mudanças climáticas?" Da Espanha em chamas a Ribeirão debaixo d'água, a mensagem é a mesma — a inação tem um custo em vidas e colapso social. Sua despedida é o eco de um planeta que, como sua cidade, está "virando um deserto", e a prova de que a tempestade já chegou.


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