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Norte do Paraná
Postado dia 27/07/2026 às 00:45:59
O padre, o prefeito e a praça da "cidade inteligente", que não é do povo
A cerimônia de inauguração da revitalização da Praça Padre Giuliano Ricardo Bravi, realizada nesse domingo (26), foi um evento de celebração que reuniu o prefeito Tuti Bomtempo (PSD), a primeira-dama Neusa Bomtempo, vereadores, o Bispo Dom Marcos e o Padre João Carlos. Oficialmente, a entrega do investimento de mais de 2 milhões de reais foi celebrada como um símbolo de compromisso com o futuro da cidade, incluindo o plantio de três araucárias como legado para as próximas gerações. A fala do prefeito destacou a alegria de devolver à população um espaço "mais limpo, iluminado, bonito e seguro", onde as famílias poderiam conviver e os fiéis participar das celebrações com mais conforto.
Contudo, ao se analisar a fundo a nova configuração da praça, a narrativa do poder público de um ambiente "acolhedor" entra em choque com a realidade do projeto. A justificativa para o corte das árvores, feita pelo padre João Carlos em dezembro de 2023, foi a de que usuários de drogas se aproveitavam da escuridão e das sombras para praticar atos ilícitos, gerando medo nos fiéis. O padre também citou o vandalismo constante na iluminação como um problema para a segurança noturna. O resultado, porém, é um espaço público desprovido de sua principal função ambiental e de convívio social: a ausência de árvores frondosas e de bancos transforma a praça em um local inóspito, especialmente durante o dia, onde a população não encontra sombra para proteger-se do sol e nem local para se sentar.
Essa contradição evidencia que o discurso de "espaço de convivência" se mostra, no mínimo, impróprio. Uma praça sem árvores e sem bancos não representa um espaço que acolhe as famílias, mas sim um largo aberto e inóspito. A fala do prefeito Tuti Bomtempo, que classificou a nova fonte luminosa como um dos "grandes atrativos", reforça a impressão de que o projeto atende mais aos interesses estéticos e litúrgicos da Igreja São José do que às necessidades básicas da coletividade.
Ao priorizar a "valorização do cenário da Igreja" em detrimento do conforto térmico e da funcionalidade para os cidadãos, a gestão municipal parece ter confundido o interesse público com o projeto particular da instituição religiosa. A obra, portanto, embora entregue com pompa, levanta um questionamento crítico: para quem e para que serve, de fato, essa praça revitalizada? Pelo jeito "a praça (não) é nossa".




