Veja Também -
6 em cada 10 moradores de capitais fazem 'bicos' para complementar renda
Supermercado é condenado por instituir escala de trabalho 9 x 1
Salário pode ser penhorado para quitar dívida sem natureza alimentar
INSS pode estabelecer teto de juros do consignado de aposentados, decide STF
Sem embriaguez, cerveja no almoço não justifica demissão por justa causa- Veja + Geral
Geral
Postado dia 17/09/2026 às 12:31:14
6 em cada 10 moradores de capitais fazem 'bicos' para complementar renda
Seis em cada dez brasileiros moradores de dez grandes capitais precisaram recorrer a trabalhos extras para complementar a renda familiar nos últimos 12 meses.
A necessidade de fazer "bicos" atingiu 60% dos moradores das dez maiores capitais brasileiras. Os dados são da Pesquisa Viver nas Cidades: Desigualdades e Mobilidade Social, realizada pelo ICS (Instituto Cidades Sustentáveis) em parceria com a Ipsos-Ipec.
Os serviços gerais são as atividades informais mais procuradas para reforçar o orçamento doméstico. Faxinas, reformas, manutenção e jardinagem lideraram as respostas, variando de 54% em Belo Horizonte a 68% em Goiânia.
A renda de quase metade da população pesquisada ficou estagnada no período. Cerca de 45% dos entrevistados declararam que o rendimento se manteve igual ao do ano anterior, enquanto 31% sofreram perda financeira e 18% registraram alta. Parte desse aumento de renda pode ser resultado do trabalho extra, contudo, o aumento de renda foi sentido mais entre aqueles das classes A e B (24% desse grupo declarou percepção de aumento de renda).
Salário médio do brasileiro está em patamar recorde. A Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostra uma média salarial no país de de R$ 3.932,45. Assim como a massa de renda (soma de todos os salários e rendimentos do trabalho), também atingiu um recorde de R$ 374,819 bilhões no primeiro trimestre.
Pesquisa reflete percepção da população sobre renda, orçamento, moradia e escolaridade. Igor Pantoja, coordenador de relações institucionais da Rede Nossa São Paulo e do Instituto Cidades Sustentáveis, explica que, apesar de dados oficiais mostrando que a renda tem aumentado, as pessoas ainda percebem compressão do poder de compra e na qualidade de vida, como compras e moradia. "Isso é o interessante em pesquisa de percepção. É o que acontece também com pesquisas de percepção sobre segurança pública. É sensação, é percepção da população", diz.
A percepção de aumento da fome e da pobreza nas capitais caiu de 66% para 59%. Apesar do recuo no indicador, a maioria absoluta dos entrevistados tem a percepção de que o crescimento da miséria nas cidades onde reside.
Alimentação mais cara e barreira na ascensão social
Os gastos com comida representam o item que mais pesa no bolso das famílias. A alimentação é percebida por 47% das pessoas como a principal despesa, seguida por moradia (27%) e custos com saúde (11%). "Essa sensação de que a alimentação é o principal gasto, maior do que com moradia, pode ser que, na ponta do lápis, seja mais alto. Seria interessante aprofundar o perfil desse gasto de alimentação. Vemos um aumento no consumo de delivery, por exemplo, uma mudança de comportamento, e que reflita no peso da alimentação", diz Igor Pantoja.
O aperto no orçamento forçou a troca de alimentos por opções mais baratas. Os participantes relataram que eles aumentaram o consumo de ovos e reduziram a compra de carnes, laticínios e hortifrutigranjeiros.
O aumento do nível de escolaridade não garantiu melhoria financeira automática para as famílias. Embora 73% dos entrevistados tenham estudado mais que os pais, apenas metade sente que superou a renda ou a qualidade de moradia da geração anterior. Segundo Pantoja, o dado mostra que não se pode colocar apenas a melhorar na escolaridade como fator para aumento de renda e tentar identificar onde está o gargalo que precisa ser atacado.
"O pano de fundo disso, é a desigualdade. Precisa de politicas políticas para reduzir essa desigualdade. A renda até está maior, mas continua muito desigual. As rendas mais altas estão capturando a maior riqueza da sociedade. Temos mais jovens trabalhando mais e estudando mais, mas os empregos bem pagos são menores, e dominados pela elite, que sai na frente na mobilidade social" - Igor Pantoja, coordenador de relações institucionais da Rede Nossa São Paulo e do Instituo Cidades Sustentáveis
Sobre o levantamento
A pesquisa coletou dados em duas etapas entre dezembro de 2025 e julho de 2026. Foram ouvidos 3.500 internautas em Belém, Belo Horizonte, Fortaleza, Goiânia, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.
O estudo tem apoio da Fundação Grupo Volkswagen e cofinanciamento da União Europeia. A margem de erro é de dois pontos percentuais para a amostra geral e de quatro a seis pontos para os resultados específicos por capital.




