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Política
Postado dia 27/09/2026 às 12:38:35
Flávio Bolsonaro é tragédia, mas chega de Lula
Se um é pouco, dois é bom, três é demais, então chega de reeleger o presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT), para um quarto mandato.
Já que a política não é arte de escolher entre o bom e o melhor, e, sim, entre o ruim e o pior, então sobra mesmo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como potencial candidato a presidente do Brasil para as eleições de 4 de outubro próximo.
Nas urnas que se encontram já depois da esquina do tempo, o Brasil até que tinha outras opções como o escritor Augusto Cury (Avante), os ex-governadores Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado (PSD-GO), além de Renan Santos (Missão), entre outros. No entanto, em meio à polarização PL/PT, e diante do chamado voto útil, tem sobrado mesmo para Flávio Bolsonaro.
O atual mandato do presidente petista me lembra a história da amante - e não tem a ver com aquela cujo pseudônimo aparece na planilha da Odebrecht em época da operação Lava Jato. A figura dos amantes, aqui, trata-se da paixão em início de relacionamento, da adrenalina e dos cuidados para não serem flagrados por terceiros. Mas, como toda relação clandestina, o encanto dura pouco: quando a rotina se impõe e a realidade bate à porta, o que resta é a decepção de quem esperava mais do que um simples caso passageiro.
O governo Lula não empolga mais o eleitorado brasileiro. O endividamento crônico das famílias - que atinge hoje mais de 80% dos lares, com juros rotativos que beiram 436% ao ano - e a perda persistente do poder de compra comprimiram a capacidade de consumo e transformaram a aspiração de ascensão social em mera luta para não cair de nível.
Segundo recentes pesquisas, Lula lidera as intenções de voto em 11 estados, principalmente em todos os nove do Nordeste, alavancado pela alta concentração de beneficiários de programas sociais. Já o Flávio Bolsonaro aparece à frente em oito, além do Distrito Federal. As demais sete localidades registram empate técnico, incluindo dois entre os três maiores colégios eleitorais do país (Minas Gerais e Rio).
Diante do cenário de renda que não acompanha o custo de vida, e suas implicações na eleição presidencial desse ano, o inquililo atual do Palácio do Planalto resolveu dar reajuste de de 15% no Bolsa Família, elevando o valor mínimo do benefício de R$ 600 para R$ 691.
No entanto, a situação segue bastante complicada. Lula também não repete o impacto transformador de programas como o Minha Casa Minha Vida, que fortaleceu a construção civil, o comércio e os serviços e elegou Dilma Rousseff do alto de sua aprovação recorde. As políticas atuais - isenção de imposto de renda até R$ 5.000, Pé de Meia - alcançam sobretudo uma base que já lhe é fiel, sem converter novos eleitores nem criar a sensação de conquista que outrora mobilizou o país.
O resultado é um governo que mantém apoio, mas não expande; que administra, mas não inspira. E, nesse vazio de entusiasmo, cresce o risco de ver Flávio Bolsonaro - o das rachadinhas, do relacionamento não explicado com Daniel Vorcaro, das milícias no Rio de Janeiro e de atuação insignificante como político em Brasília, vindo de um estado dominado pelo crime organizado e pela corrupção — ocupar o espaço que a decepção econômica deixou aberto.




