Parlamentares citam que Lupion é o nome “mais forte” no páreo, dada a liderança junto à bancada, as posições de oposição e críticas ao governo Lula durante ao longo dos últimos três anos. Lupion foi também vice-líder do governo Bolsonaro na Câmara dos Deputados. A proximidade da família Lupion com a família Bolsonaro também é comentada nos bastidores.
O ex-deputado Abelardo Lupion, pai de Pedro Lupion, foi um dos fundadores da União Democrática Ruralista (UDR), era próximo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tendo atuado na Casa Civil no seu governo. Além disso, pessoas próximas citam que Lupion sempre se manteve aliado à estratégia bolsonarista, tendo apoiado individualmente Flávio Bolsonaro antes de a frente fechar a posição.
Na última semana, em coletiva de imprensa, Flávio Bolsonaro prometeu que a frente poderá indicar ministro da Agricultura, como fez em 2018 no governo de Jair Bolsonaro, quando a bancada indicou a então deputada federal e hoje senadora Tereza Cristina (PP-MS) para o cargo. A bancada declarou apoio à candidatura do senador à presidência tanto no 1º turno quanto no 2º turno.
A tendência é de que a bancada apresente três nomes para escolha de Flávio Bolsonaro, caso o candidato à Presidência seja eleito. Lupion, entretanto, desponta como favorito.
O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), que também disputou a Presidência, e o empresário do setor de sementes e 1º suplente eleito ao Senado por Mato Grosso Odílio Balbinotti também circulam entre os possíveis cotados.
O secretário de Agricultura de São Paulo e ex-diretor executivo da FPA, Geraldo Melo Filho, é citado pelo perfil gestor e técnico. Mas a expectativa é de que a bancada avalize o nome de um parlamentar para o cargo, um político com base no Congresso para eventuais negociações.
Caso Flávio Bolsonaro seja eleito, a escolha para Agricultura também deve ser avalizada pela senadora Tereza Cristina (PP-MS). A senadora já descartou ao presidenciável a possibilidade de poder assumir a pasta, já que considera seu período à frente da pasta como um ciclo exitoso.
De acordo com interlocutores, Flávio Bolsonaro sinalizou espaço à senadora para apontamentos e sugestões tanto durante a campanha quanto em eventual governo, caso eleito.
Partidos
Apesar de a FPA poder indicar um nome, a eventual escolha do ministro da Agricultura deve considerar também, segundo interlocutores, a configuração de partidos aliados em um eventual governo de Flávio Bolsonaro, que já sinalizou que irá diminuir o número de pastas na Esplanada, caso eleito.
Um parlamentar aponta que, neste contexto, o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o presidente do Republicanos, Marcos Pereira, e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, também tendem a avalizar eventual costura de Lupion para Agricultura.
O PSD, que manteve neutralidade no 2º turno, também desejaria manter a Agricultura entres os ministérios da legenda, caso Flávio Bolsonaro seja eleito. No governo Lula, a sigla comandou a pasta com o senador Carlos Fávaro e o ex-deputado federal André De Paula. Outro partido que tende a querer espaço na Esplanada e tem base de deputados ligados ao setor agropecuário é o MDB, apurou a reportagem.
Uma eventual unificação da área agrícola sob o Ministério da Agricultura, caso Flávio Bolsonaro seja eleito, é dada “como certa”, segundo interlocutores. A ideia, segundo aliados do candidato, é retomar o “Super Mapa” aos moldes da pasta na gestão do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, de 2019 a 2022. Também é prevista a criação de um órgão para gerir políticas de biocombustíveis ligado à Agricultura.
A estratégia prevê a incorporação do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), recriados pelo governo Lula, à estrutura da Agricultura.
É descartada uma eventual fusão do Meio Ambiente à Agricultura, de acordo com os integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro, pelos ruídos gerados por uma proposta semelhante no governo de Jair Bolsonaro.




