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Política
Postado dia 26/10/2026 às 03:37:18
Com derrota, Flavio perde chance de imunidade e vê crescer cerco da PF
A derrota para Lula (PT) tira de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a imunidade que, na Presidência, o protegeria de ser processado durante o mandato pelos fatos que hoje são investigados pela PF (Polícia Federal).
Pela Constituição, o presidente não pode ser responsabilizado, na vigência do mandato, por atos estranhos ao exercício de suas funções.
Para o STF (Supremo Tribunal Federal), isso impede que o presidente seja denunciado e julgado nesse período.
Foi com base nessa regra que o ministro Luiz Fux suspendeu, em 2019, duas ações penais abertas contra Jair Bolsonaro antes de ele assumir a Presidência.
O STF já admitiu que o presidente seja investigado por esses fatos, mas não processado. Sem a imunidade, as apurações sobre Flávio podem avançar até uma eventual denúncia.
Ele é investigado em três inquéritos no STF, e dois deles tratam de suspeitas de lavagem de dinheiro.
Num desses inquéritos, o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) apontou movimentações atípicas de R$ 1,3 milhão nas contas do senador entre janeiro e março de 2024, como revelou o jornal O Globo.
Segundo o Coaf, o volume foi 7,19 vezes maior que o esperado para a renda declarada por Flávio. O relatório faz parte do inquérito que apura a relação dele com o advogado Willer Tomaz.
Uma das transações destacadas foi de R$ 520 mil, paga a Flávio por um escritório de advocacia em março de 2024. O dinheiro quitou antes do prazo o financiamento da mansão do senador em Brasília, avaliada em R$ 5,97 milhões.
O Coaf também apontou que uma conta do senador movimentou R$ 337 mil em novembro de 2025, valor acima de sua capacidade econômica declarada.
Amigo e advogado
O inquérito sobre a relação de Flávio com Willer foi aberto neste mês e é relatado pelo ministro Alexandre de Moraes. A investigação começou no Rio Grande do Sul, numa apuração sobre lavagem de dinheiro com sites de apostas.
Na nuvem do celular de Willer, a PF achou registros de festas, encontros e viagens pagas a Flávio. O senador aparecia como "usuário master" da conta bancária de uma empresa do advogado, com poder para movimentar valores, até meados de 2025.
Na última sexta-feira, Moraes mandou bloquear até R$ 6 bilhões em bens de Willer, quebrou os sigilos bancário e fiscal de suas empresas, cancelou seus passaportes e suspendeu as atividades de suas empresas.
Willer deixou o Brasil em 21 de agosto e não há registro de que tenha voltado, segundo fontes do STF. Como o UOL mostrou, ele foi a pessoa que mais depositou dinheiro em bets no país em 2025, com mais de R$ 258 milhões.
A PF também vai analisar o escritório de advocacia de Flávio, que emitiu R$ 13,7 milhões em notas fiscais entre 2023 e julho deste ano. A maioria descreve o serviço só como "assessoria jurídica".
Dark Horse
O outro inquérito por lavagem, relatado pelo ministro André Mendonça, apura a negociação de R$ 134 milhões com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar "Dark Horse", filme sobre a vida de Jair Bolsonaro.
Segundo a PF, ao menos R$ 61 milhões foram repassados por Vorcaro em 2025. Parte foi para um fundo no Texas, nos Estados Unidos, ligado a aliados da família Bolsonaro.
A PF suspeita de corrupção, lavagem e evasão de divisas, que é a remessa de dinheiro ao exterior sem declaração. Em outubro, os investigadores pediram mais 90 dias para concluir a apuração.
O Coaf também enviou a esse inquérito uma comunicação de banco sobre duas transferências de uma fabricante de doces, cliente do escritório de Flávio, para a banca do senador.
O terceiro inquérito, também com Moraes, apura se Flávio caluniou Lula numa publicação de janeiro. Ele escreveu que o petista "será delatado", no dia da captura de Nicolás Maduro.
A PF viu "indícios concretos" de crime. Flávio não quis depor e enviou esclarecimentos por escrito ao STF.
Foro
O mandato de Flávio no Senado termina em 31 de janeiro. Pelo entendimento atual do STF, o foro especial continua valendo depois da saída do cargo para crimes praticados no mandato e em razão das funções.
O foro especial é o direito de ser investigado e julgado diretamente por um tribunal superior.
Flávio já foi denunciado no caso da "rachadinha", suspeito de reter parte dos salários de funcionários quando era deputado estadual no Rio. As provas foram anuladas pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) e pelo STF.




