Política Paranaense

Postado dia 06/01/2015 às 05:55:08

Londrina perde espaço nos governos estadual e federal

As nomeações feitas pela presidente Dilma Rousseff (PT) e pelo governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), reeleitos para o segundo mandato, confirmam o enfraquecimento do PT e do PMDB do Estado e a falta de novas lideranças políticas em Londrina, conforme especialistas ouvidos pela Folha de Londrina. Dilma concluiu as indicações para os ministérios praticamente sem representantes do Paraná, diferente de outros Estados, onde petistas e peemedebistas fazem parte dos grupos que apresentam nomes à presidente. Na equipe estadual, Beto encerrou a montagem do seu secretariado e sequer cogitou colocar no primeiro escalão uma liderança londrinense, mesmo depois da expressiva votação – 79% dos votos válidos – na cidade. Em comum, ambos carregam na esteira das eleições as maiores coligações partidárias; nove siglas estiveram na base de apoio da petista e 17 na do tucano.

Pedro Ribas/ANPr
Londrina perde espaço nos governos estadual e federal



Desde que o PT assumiu o governo federal em 2003, com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Paraná manteve políticos no primeiro escalão em Brasília, com Paulo Bernardo (Planejamento e Comunicações), Gleisi Hoffamnn (Casa Civil), Márcia Lopes (Desenvolvimento Social e Combate à Fome), Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) e considerando o segundo escalão, Osmar Dias (vice-presidente do Banco do Brasil) e João Resende (Anatel). O jornalista rolandense Thomas Traumann é agora o único representante do Estado no primeiro escalão. Ele segue no comando da Secretaria de Comunicação Social.

Para o professor de Ciência Política da Uninter, Luiz Domingos Costa, a nova conjuntura, que quase não contempla nomes de paranaenses, é consequência do encolhimento do PT e do PMDB. "Não é o Paraná que fica desprestigiado politicamente, mas sim os partidos políticos como o PT e PMDB", afirmou Costa. Ainda tentando entender o fracasso nas urnas no Estado nas últimas eleições, os dois partidos estão em lados opostos no Paraná e viram a sua representatividade ser reduzida na disputa pela Assembleia Legislativa (AL). "Não dá para chegar lá nos ministérios, se não tem uma força local, pois a política nacional é resultado da força local", completou o especialista, que apontou Beto e Ratinho Junior (PSC) como os dois principais nomes da política estadual depois de outubro.

Embora considere normal o encerramento do "ciclo" de Bernardo e Gleisi como ministros, Costa lembrou que "o PT do Paraná não conseguiu forjar outros líderes, (por causa do) resultado das estratégias que tem adotado nas últimas eleições, com papel coadjuvante, para prefeito e para governador". "Mesmo agora, com a Gleisi", prossegue o professor, "a candidatura não despontou e isso refletiu na formação da bancada, sem o que chamamos de rede de arrasto, quando o candidato principal arrasta parlamentares, como aconteceu com o Ratinho e com o Beto."

Quanto ao PMDB do Paraná, "a relação com a Executiva nacional não é a melhor possível, porque está dividido e saiu da eleição com um resultado ruim", analisa Costa.

Fragilidade de Londrina

Com a equipe de secretários já definida, o governador Beto Richa privilegiou os quadros de Curitiba e de Maringá (Noroeste) para a montagem. Desta última vieram a vice-governadora Cida Borgheti (Pros), o secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Ricardo Soavinski, e o secretário de Planejamento e Coordenação, Silvio Barros (PHS), confirmando a influência do ex-secretário da Indústria e Comércio e deputado federal eleito Ricardo Barros (PP) no governo estadual, irmão de Silvio e marido de Cida. No começo da primeira gestão de Beto, dois londrinenses estavam no primeiro escalação: o deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB) na Secretaria de Fazenda e o deputado estadual Luiz Eduardo Cheida (PMDB) na Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos.

Em entrevista à FOLHA, o professor de Ética e Filosofia Política da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Elve Cenci, destacou a diferença política entre as duas principais cidades do interior. "Na articulação de quem seria candidato, lá atrás, a família Barros esteve sempre na jugular do governador e acabou fazendo a vice-governadora. A Cida era a terceira opção do Beto, mas para ele foi melhor fazer o acordo do que ter a família Barros como adversária. Londrina não teve e não tem lideranças e articulação." Para Cenci, a formação do secretariado estadual demonstra "a fragilidade e a desmobilização da sociedade londrinense".

De acordo com o analista, a falta de quadros na política de Londrina é consequência da gestão dos próprios partidos instalados na cidade. "Temos lideranças que articulam o partido em torno de si e não nasce mais nada perto deles, até porque quando uma nova liderança surge, (ela) pode ameaçar a anterior."

Apesar da pouca expressão política na atual composição do secretariado estadual, Cenci afirma que Londrina não pode ser prejudicada pela administração estadual em detrimento de outras regiões. "Na teoria, as políticas públicas devem ter critérios objetivos para a aplicação do dinheiro, mas na prática sempre as lideranças locais acabam tendo algum peso, levantando as demandas locais."

da Folha de Londrina


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