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Pedágio prejudicou população com ajuda de deputados do Paraná- Veja + Política
Política
Postado dia 22/02/2026 às 21:40:12
Pedágio prejudicou população com ajuda de deputados do Paraná
O então candidato à reeleição em 2002, o governador do Paraná, Roberto Requião havia dito, em 2018, que o pedágio abaixa ou acaba. Todo ano de eleições acontece a mesma coisa, de politicos enganando a população com promessas que não serão cumpridas ou mesmo com supostos remédios milagrosos a resolver problemas crônicos e históricos.
No entanto, altos preços de pedágio cobrados da população paranaense justamente tiveram aprovação e conivência de governantes ao longo das últimas décadas.
Em 1º de janeiro de 2013, durante reunião de comissão parlamentar de inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa, o ex-governador Jaime Lerner, havia afirmado que “o pedágio foi resultado de um planejamento estratégico desenvolvimentista, que buscava especialmente a interligação entre as rodovias que cortam o estado, e que formaram o chamado anel de integração. De acordo com ele, “percorri todos os municípios do Paraná. O Estado precisava oferecer condições de logística e infraestrutura. Existiam buracos na pista, não havia sinalização e muitas pessoas estavam perdendo a vida nas estradas. O escoamento da nossa safra também estava comprometido por estes problemas”.
De acordo com o também apurado no âmbito da Operação Lava Jato, conforme divulgado em março de 2014, investigação do MPF (Ministério Público Federal) apontava que os contratos de concessão de rodovias federais no Paraná foram alterados de forma unilateral pelo governo do Estado, sem publicação em Diário Oficial ou comunicação ao governo federal. A maioria dos “atos secretos”, como se refere o relatório do MPF, serviu para modificar as obrigações das concessionárias.
O órgão apontou casos em que a alteração contratual eximiu as empresas de realizar serviços de manutenção e expansão das rodovias, substituindo-os por obras de preço e impacto menor, autorizou reajustes no pedágio ou diminuição da tarifa em troca de cancelamento de obras.
Com a falta de fiscalização por parte de deputados estaduais e do Tribunal de Contas do Paraná (TCE-PR), e ainda diante de pagamento de propinas a pessoal do DER (Departamento de Estradas de Rodagem), houve autorização de sucessivos aumentos no valor da tarifa, tendo ainda as concessionárias deixado de realizar obras as quais estavam obrigadas por contrato.
Ao longo de 2020 e 2021, de olho nas eleições gerais que aconteceriam no ano seguinte, integrantes da Frente Parlamentar sobre o Pedágio da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) fizeram audiências públicas em várias localidades do Estado, visando debater o modelo de pedágio proposto pelo governo federal, levantar críticas e propor alternativas que refletissem os interesses da sociedade paranaense. Na verdade, tratou-se apenas de logo de encenação. O que se tem de concreto é que, com as novas concessões, além das antigas 27 praças de cobrança, o Paraná ganha mais 12 pedágios.
Em 23 de abril de 2025, o governo Ratinho Júnior havia anunciado investimentos de pelo menos R$ 1,5 bilhão em obras de obras de pavimentação em rodovias ou vias rurais distribuídas por todo o Paraná, totalizando mais de 1,6 mil quilômetros de obras de pavimentação em rodovias ou vias rurais distribuídas por todo o Paraná.
Ocorre que tais investimentos têm atendido interesses da iniciativa privada. Ou seja, historicamente a administração estadual investe em construção ou melhorias de rodovias, as quais, na sequência, são repassadas às concessionárias de pedágio. Ou seja, o cidadão paga duas vezes: para construção daquele trecho e depois para seguir viagem por aquela mesma estrada.
A cada eleição é a mesma conversa. No entanto, se politicos realmente quisessem resolver o problema de pedágio no Estado, solução bastante prática se trata da destinação de recursos - inclusive por meio de emendas parlamentares - para construção ou melhorias de estradas municipais existentes que poderiam servir de via alternativa a tais praças de cobrança.




