Política

Postado dia 17/02/2026 às 16:20:40

O mesmo destino de Collor, Witzel e Selma? O que esperar de Sergio Moro?

Principal nome na disputa ao governo do Paraná em 2026, o senador Sergio Moro (União-PR) construiu sua trajetória política sobre a mesma bandeira que impulsionou figuras como Fernando Collor, Wilson Witzel e Selma Arruda: o combate à corrupção. A história recente, no entanto, mostra que esse discurso, por si só, não é garantia de longevidade na política e, em alguns casos, termina em cassação ou prisão. A pergunta que fica é: o ex-juiz da Lava Jato terá um destino semelhante?

"Caçador de Marajás" que virou réu

Fernando Collor de Mello elegeu-se presidente em 1989 com o discurso de "caçador de marajás", prometendo limpar a administração pública . O fim da história é conhecido: sofreu impeachment em 1992 sob acusações de corrupção e, recentemente, foi condenado e preso pela Operação Lava Jato, a mesma que consagrou Moro. Atualmente, cumpre prisão domiciliar .

O fuzil e a queda

Wilson Witzel, ex-juiz federal, surfou a onda anticorrupção e foi eleito governador do Rio de Janeiro em 2018 com a polêmica frase de que a polícia deveria "mirar na cabecinha" dos criminosos . Seu governo, porém, durou pouco. Witzel foi afastado do cargo e sofreu impeachment em 2021, acusado de participação em esquema de corrupção na área da saúde .

A "Moro de saias" cassada

Selma Arruda, juíza aposentada e conhecida como "Moro de saias" por sua atuação rígida no combate à corrupção em Mato Grosso, foi eleita senadora com ampla votação em 2018 . Menos de dois anos depois, teve o mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por práticas de caixa dois e abuso de poder econômico durante a campanha — exatamente os crimes que combatia na magistratura .

O que esperar de Moro?

Assim como Collor, Witzel e Selma, Sergio Moro ascendeu politicamente como um "outsider" com a aura de juiz implacável contra a corrupção . No entanto, sua trajetória como político tem sido marcada por desafios:

Suspeição no STF: O Supremo Tribunal Federal (STF) declarou Moro parcial na condenação do ex-presidente Lula, um golpe em sua reputação jurídica.

Disputas internas: Em 2026, Moro enfrenta resistências dentro de sua própria federação partidária para viabilizar sua candidatura ao governo do Paraná, que ele mesmo classifica como "irreversível" .

Riscos eleitorais: Diferente de Collor, Witzel e Selma, Moro ainda não sofreu um revés direto por corrupção eleitoral ou de conduta, mas carrega o peso de ter sua imparcialidade questionada e enfrenta um cenário político hostil .

O ex-juiz ainda não teve o mesmo destino dos três, mas o paralelo serve como alerta: na política, quem se elege com a bandeira de combate a corrupção pode, ironicamente, sucumbir a ela ou aos seus próprios erros de cálculo. Resta saber se Moro conseguirá evitar o "impeachment" político que atingiu seus antecessores de discurso.


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