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Política
Postado dia 19/02/2026 às 14:01:34
Da facilidade de políticos e familiares conseguirem bom empregos no Brasil
A conquista de cargos públicos por políticos e seus familiares tornou-se quase um ritual de herança: posições estratégicas e bem remuneradas passam de geração em geração, sustentando redes de influência que se reproduzem em diferentes estados. No Paraná, casos envolvendo as famílias Kiélse, Amaral, Camargo e Requião ilustram como essa prática se consolidou dentro dos Tribunais de Contas e outras instituições.
Em 1990, Cleiton Kielse havia sido eleito para deputado estadual pelo PMDB, na época, o parlamentar mais jovem do país. Ele esteve então na Assembleia Legislativa do Estado do Paraná entre 1991 e 2015. Sua trajetória tem a ver com influência política, decorrente da atuação de seu pai, Quielse Crisóstomo da Silva, vitorioso nas urnas como deputado estadual, entre 1966 e 1986, tendo sido nomeado conselheiro do Tribunal de Contas do Paraná (TCE-PR), em maio de 1990.
Como integrante daquela Corte, responsável por análise de contas municipais, fica então fácil de o conselheiro exercer influência em prefeitos e vereadores, atuais e ex, para que apoiassem o filho a arrumar votos em várias cidades.
O mesmo se pode dizer do atual prefeito de Londrina, Tiago Amaral (2025/2028), que cumpriu três mandatos como deputado estadual, entre 2015 e 2024. Seu pai, José Durval Mattos do Amaral, esteve também na Assembleia Legislativa, entre 1991 e 2011, e nomeado ao Tribunal de Contas, em 22 de maio de 2012.
Situação semelhante a do Paraná se repete por todo o Brasil. Um levantamento recente mostrou que cerca de 30% dos conselheiros de Tribunais de Contas no Brasil têm parentes na política - incluindo pais, filhos, irmãos e cônjuges. Isso significa que, dos 225 conselheiros ativos, pelo menos 74 têm vínculos familiares diretos com políticos.
Pelo menos cinco conselheiras são esposas de ministro do atual governo federal. Eis os casos das conselheiras Onélia Santana, do Ceará (Camilo Santana, ministro da Educação), Aline Peixoto, da Bahia (Rui Costa, da Casa Civil), Rejane Dias, do Piauí (Wellington Dias, do Desenvolvimento Social), Marília Goes, do Amapá (Waldez Góes, da Integração e Desenvolvimento Regional) e Renata Calheiros, de Alagoas (Renan Filho, dos Transportes). Além disso, Daniela Lima Barbalho, conselheira do Tribunal de Contas do Pará, é casada com o atual governador do estado, Helder Barbalho.
Ainda no Paraná, o atual conselheiro Fábio de Souza Camargo, advogado, iniciou sua carreira como office-boy no Tribunal de Justiça, foi vereador de Curitiba (2001–2007) e deputado estadual (2007–2013), sendo eleito para a Corte de Contas em julho de 2013. Na época, seu pai, Clayton Camargo, presidia o Tribunal de Justiça - que havia atuado por mais de duas décadas no Ministério Público, ingressado no TJ em 1995 e que, após breve passagem pela presidência em 2013, acabou afastado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) por suspeitas de tráfico de influência e venda de sentenças, reconduzido em junho de 2015, e se aposentou compulsoriamente em 2021. O avó de Fábio Camargo, Heliantho Guimarães Camargo, também presidiu o TJPR em 1981–1982.
Tio do atual deputado estadual Requião Filho, o conselheiro Maurício Requião foi indicado em 2008 por seu irmão, o então governador Roberto Requião. Ele acabou afastado do TCE-PR em 2009 pelo STF (Supremo Tribunal Federal), mas acabou retomando o cargo em 2015, com direito a valores retroativos. Maurício Requião atuou como deputado federal (1995–1999).
Nomeado também pelo irmão governador como superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), onde permaneceu entre 2003 e 2007, ele havia deixado a função em meio a fortes controvérsias, envolvendo reprovação de contas pelo TCE-PR com exigência de devolução de R$ 11,3 milhões, e denúncias de má gestão.




