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Postado dia 26/02/2026 às 19:42:12
Das histórias contadas, entre máquinas de escrever e o teclado do celular
Para contar histórias hoje, a gente usa menos os dedos. Na verdade, menos dedos. Muita gente só usa os dois polegares, deslizando sobre o vidro do celular. Prático, rápido, direto. E quando os polegares cansam, tem o comando de voz – a gente fala, e o texto aparece.
Mas nem sempre foi assim.
Houve um tempo em que escrever era exercício pesado. A máquina de escrever não era silenciosa: cada tecla fazia “tá-tá-tá”, e quem não dominava o ritmo era chamado de “catador de milho”. O apelido vinha dos cursos de datilografia, que vivam seu auge entre as décadas de 1930 e 1960. Para obrigar o aluno a decorar o teclado, as professoras apagavam as letras ou colocavam uma tampa de madeira. Quem olhasse para as teclas estava perdido.
Era a época de ouro das máquinas. Olivetti, Remington, Keystone – nomes que mandavam nos escritórios, bancos e repartições. Saber datilografar era garantia de emprego. A Remington, aliás, tinha um passado curioso: antes de fazer máquinas de escrever, fabricava rifles. Salvou-se da falência vendendo teclados em vez de armas. E hoje? Voltou a fabricar armas. A vida dá voltas.
Hoje, as máquinas viraram peça de museu. Quem escreve rápido no celular nem imagina o que era treinar horas para não errar uma tecla. Mas, de certa forma, a pressa é a mesma – só mudou o instrumento.
Essa crônica, por exemplo, foi escrita num notebook. Mas quem tá escrevendo aprendeu num tempo em que não podia olhar pro teclado. Resultado: décadas depois, os dedos ainda sabem o caminho. Rápido, sem olhar. Herança dos tempos de “catador de milho” – só que, agora, sem ninguém para vigiar.




