Política

Postado dia 05/03/2026 às 14:00:45

Doações para Minas Gerais vão ser desviadas? O histórico do Brasil acende alerta

Em caso de tragédias e consequente necessidade de reconstrução, há sempre quem perde e quem ganha — lícita e ilicitamente. Em momentos de crise, o brasileiro se mostra solidário, mas essa generosidade é frequentemente testada por notícias de desvios que minam a confiança em causas legítimas.


O histórico recente expõe a dimensão do problema. No Rio Grande do Sul, a Operação Ascaris bloqueou R$ 2 milhões em investigação sobre desvio de doações (roupas e fraldas) enviadas dos EUA para vítimas das enchentes de 2024. Os itens eram repassados a uma ONG e vendidos em brechós, envolvendo ao menos oito pessoas de uma mesma família . Também no Sul, a Polícia Federal prendeu em fevereiro de 2026 o ex-prefeito de Lajeado, Marcelo Caumo (MDB), sob suspeita de desviar R$ 120 milhões em verbas federais da assistência social destinadas à recuperação da cidade .

Na Bahia, jornalistas do programa Balanço Geral, da Record, desviaram pelo menos R$ 470 mil em doações feitas via Pix entre 2022 e 2023. As chaves divulgadas não pertenciam aos necessitados, e o caso veio à tona após o jogador Anderson Talisca doar R$ 70 mil e desconfiar do desvio — o MP baiano denunciou 12 pessoas por organização criminosa. Em Santa Catarina, a Operação Falso Samaritano revelou que R$ 4 milhões em doações feitas por 14,6 mil clientes da Celesc na conta de luz nunca chegaram aos hospitais; uma empresa contratada para gerir os recursos desviava a maior parte, resultando na prisão de três empresários em Joinville .

Diante da tragédia que já vitimou 81 pessoas na Zona da Mata mineira — 65 somente em Juiz de Fora —, a pergunta que se impõe é: desta vez será diferente? As autoridades anunciaram medidas para tentar garantir que sim. Em 3 de março, o governo de Minas determinou o cadastramento obrigatório de instituições que recebem doações, numa tentativa de coibir o "turismo de tragédia" e golpes com chaves Pix falsas. A fiscalização promete ser mais rigorosa, e a transparência, a única ferramenta capaz de assegurar que a ajuda chegue a quem perdeu tudo. Resta saber se, na corrida entre a solidariedade e a ganância, a primeira conseguirá chegar na frente.


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