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Política
Postado dia 01/06/2026 às 10:23:47
Mulheres negras seguem sub-representadas e enfrentam barreiras históricas na política brasileira
Apesar da Lei Áurea há quase 140 anos e do início do voto feminino há quase 100 anos, a realidade é que desde 1824 as regras eleitorais sempre cercearam o direito ao voto de alguns setores da população, em especial mulheres e negros. Letramento, renda mínima e autorização do marido foram barreiras que perpetuaram a exclusão. As mulheres negras, em especial, enfrentaram maiores dificuldades para acessar o direito ao voto e para serem votadas. Na letra da lei, o voto só foi amplamente garantido há 40 anos, sendo a eleição geral de 2026 apenas a décima com participação plena desse grupo.
Esse histórico de exclusão se reflete hoje nas casas legislativas. Em Pernambuco, entre os 49 deputados estaduais, 37 cadeiras (65,3%) estão ocupadas por homens brancos, que representam apenas 21% da população brasileira. Na mesma Alepe, há apenas sete mulheres (14,3%) e treze pessoas negras (26,5%), sendo apenas três mulheres negras (6,1%). No cenário nacional, a Câmara Federal conta com 91 mulheres (17,7%) e 135 negros (26,3%), mas apenas 29 mulheres negras (5,6%), embora elas sejam 28,5% da população.
Apesar de avanços recentes, o ritmo da mudança é lento. Nas últimas três eleições, o número de deputados negros na Câmara Federal passou de 102 (19,8%) para 135 (26%), uma evolução média de 3,1 pontos percentuais por pleito. Se mantido esse ritmo, a representatividade negra só alcançaria os 56% da população daqui a 40 anos. Já a representação feminina, que era de 30 deputadas (5,8%) em 1990 e hoje é de 91 (17,7%), cresce ainda mais devagar, com média de apenas 1,5 ponto percentual por eleição.
Esse quadro evidencia não apenas a desigualdade numérica, mas também o impacto direto na formulação de políticas públicas. A baixa presença de mulheres negras nos espaços de poder significa menos vozes para pautas ligadas à igualdade racial, de gênero e à justiça social. A eleição de 2026, portanto, carrega o desafio de acelerar a correção dessa distorção histórica e ampliar a representatividade de quem há séculos é mantido à margem da política institucional.




