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Política
Postado dia 08/08/2026 às 10:49:29
Moro admite divergência com Bolsonaro, elogia Ratinho Jr. e critica STF
Em sabatina UOL/ Folha de S.Paulo, o candidato ao Governo do Paraná Sergio Moro (PL) admitiu divergências com Jair Bolsonaro (PL) no passado, minimizou as investigações contra o presidente de seu partido, Valdemar Costa Neto, e criticou o STF. Também elogiou o governador Ratinho Júnior (PSD), cujo grupo político é seu adversário na eleição estadual.
Moro foi questionado sobre a possibilidade de Flávio Bolsonaro interferir na Polícia Federal caso seja eleito. Em 2020, ele pediu demissão do cargo de ministro da Justiça após acusar o então presidente Jair Bolsonaro de tentar interferir politicamente na instituição. "Isso é fazer prognóstico sobre um futuro que ainda não se realizou. O Flávio está apresentando os seus projetos", respondeu.
O senador afirmou que teve uma "divergência séria" com Bolsonaro e que não retira o que disse na época. Relatou, no entanto, que se reaproximou do então presidente em 2022 com um objetivo maior, o de tentar derrotar Lula (PT).
O que eu disse ali no passado, eu não retiro as minhas palavras. Nós tivemos uma divergência séria que levou que eu saísse ao governo. Mas a partir de 2022, nós iniciamos essa reaproximação porque existia um objetivo maior, que era a derrota do projeto de poder do Lula e do PT.
Sem apresentar provas, Moro acusou o governo Lula de interferir na PF. Ele afirmou que houve "clara tentativa" de tirar o ministro André Mendonça da relatoria dos processos contra Fábio Luís, o Lulinha, no STF. Também disse que a base do governo atuou para impedir a continuidade das investigações na CPMI do INSS contra o filho do presidente.
O senador disse não ser adversário político de Ratinho Jr. e evitou críticas. "Tenho uma relação cordial com ele, respeito. Nós vamos dar continuidade aos bons projetos do governador Ratinho Júnior, inclusive em contato, em parceria com os prefeitos e com os municípios do estado do Paraná", prometeu. Ratinho lançou o deputado Sandro Alex (PSD) na disputa pelo governo do estado.
Relação com o governo federal será republicana e institucional caso Lula seja reeleito, afirma. Moro disse que eles não precisam se gostar, mas apenas se respeitar. "Mas eu tenho certeza e nós vamos trabalhar para virar essa página e para eleger o Flávio Bolsonaro como presidente da República. Teremos uma relação ótima."
Valdemar pagou por erros do passado, diz Moro
O candidato minimizou as investigações contra Valdemar Costa Neto. O presidente do PL foi alvo de operação da PF por suspeita de interferir na destinação de emendas parlamentares mesmo sem ter mandato. Moro, no entanto, afirma que não há acusação de desvio dos recursos, e que ele mesmo recebe "sugestões" para a indicação de emendas.
Eu vi essa decisão com um certo espanto. Na própria decisão não se afirma que houve qualquer espécie de desvio de valores de emendas parlamentares.
Nesse caso do Valdemar, não tem uma afirmação qualquer de desvio, que ele possa ter sugerido algum destino para emendas. Isso pode acontecer, como eu posso receber sugestões de terceiros e eu acolho ou não acolho essas sugestões.
O ex-juiz da Lava Jato foi confrontado pelo jornalista Bruno Ribeiro, da Folha de S.Paulo, sobre a condenação de Valdemar no Mensalão. "Os erros que ele cometeu no passado, já pagou. Inclusive, ele cumpriu pena naquele período e se encontra, evidentemente, em outra situação no atual momento", declarou.
Críticas ao STF
Moro disse que decisões do 8 de Janeiro comprometem a credibilidade do Judiciário e defendeu a anistia. Ele também criticou a soltura de políticos presos por corrupção, como Sérgio Cabral, ex-governador do Rio de Janeiro.
"Eu sempre tratei com absoluto respeito às nossas instituições", disse. "Mas eu não posso me furtar a fazer as críticas necessárias em relação a decisões, seja do Supremo ou seja de outras cortes, que nós entendemos que não estão conforme à lei", acrescentou.
O que mais tem comprometido a credibilidade do judiciário, são essas decisões que a gente não entende. Por exemplo, o sujeito roubou no caso do Petrolão. Sérgio Cabral, governador do Rio de Janeiro. Hoje esse indivíduo está solto, livre, à beira da piscina, tomando uma caipirinha e contando vantagem, indicando série e filmes. Isso sim tem diminuído muito a credibilidade do nosso Poder Judiciário.
O tratamento excessivo contra aquelas pessoas do 8 de Janeiro, como a menina do batom, que pintou uma frase de protesto numa estátua e foi condenada a 14 anos de prisão. Isso sim tem corroído a credibilidade do Judiciário.
Nesses quatro anos, por exemplo, lá no Senado, eu tenho sido uma voz crítica, eu tenho visto uma interferência excessiva de decisões de algum ministro do Supremo Tribunal Federal, sobre as prerrogativas legislativas, sobre competência legislativa.




