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Política
Postado dia 16/08/2026 às 14:17:07
Do Fusca de Michelle Bolsonaro ao Fiat Elba de Rosane Collor
A política brasileira é pródiga em símbolos, e poucos objetos carregam tanto peso quanto um automóvel quando se trata de escândalos envolvendo as primeiras-damas. O Fiat Elba prata de Rosane Collor, peça-chave no processo de impeachment que derrubou o presidente Fernando Collor em 1992, retorna ao debate para fazer um paralelo com a recente declaração de bens de Michelle Bolsonaro, que a incluiu em sua pré-candidatura ao Senado em 2026 . Michelle declara agora que possui patrimônio de cerca de R$ 4,5 milhões, entre aplicações financeiras, e um Volkswagen Fusca avaliado em R$ 30 mil.
Na época, o motorista Eriberto França revelou que comprou o Fiat Elba utilizado por Rosane Collor com um "cheque fantasma" do esquema comandado por Paulo César Farias, o PC Farias, tesoureiro da campanha de Collor. A compra do veículo, então avaliado em valores modestos, e a reforma da mansão "Casa da Dinda" com dinheiro de contas fictícias foram determinantes para a abertura do processo de impeachment contra o ex-presidente. "Foi determinante para a abertura do processo de impeachment contra Collor", registrou a imprensa à época. O veículo tornou-se, assim, um símbolo da corrupção que derrubou um mandato presidencial.
Agora, a atenção se volta para os cheques depositados por Fabrício Queiroz na conta de Michelle Bolsonaro, que somam R$ 72 mil . À época da revelação, deputados da oposição não hesitaram em associar o caso ao de Collor, questionando: "Quantos Fiat Elba daria pra comprar com os 21 cheques de Queiroz para Michelle Bolsonaro?". O paralelo foi traçado justamente por envolver a primeira-dama em transações financeiras de origem controversa com um assessor próximo, da mesma forma que Rosane Collor esteve no centro do esquema PC Farias.
Ambas as situações, no entanto, divergem no desfecho político. Enquanto o Fiat Elba foi a prova material que selou o destino do governo Collor, na época os cheques para Michelle não evoluíram para um processo de impedimento contra Jair Bolsonaro . O símbolo deixou de ser a modesta perua e passou a ser os próprios cheques, mas a sombra do precedente permanece: a vida financeira de uma primeira-dama, quando exposta, pode rapidamente transpor os muros do Palácio e se tornar um problema de Estado.
Atualmente, Fernando Collor de Mello, condenado na Lava Jato a oito anos e dez meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, cumpre prisão domiciliar em Maceió (AL). Michelle Bolsonaro, por sua vez, busca voos mais altos com a candidatura ao Senado, carregando consigo a necessidade de explicar a origem de recursos que, até o momento, não tiveram o mesmo peso jurídico do Elba, mas já ocupam um lugar indelével no imaginário político nacional.




