Ao estampar “Isso é Gestão Tuti Bomtempo” ao lado de projetos financiados pelo erário, a prefeitura não objetiva informar o cidadão sobre os benefícios da tecnologia, mas acaba por atrelar a inovação à imagem do chefe do Executivo. Isso transforma um direito do cidadão (ser informado) em um serviço prestado à vaidade política do gestor. Trata-se de infração direta ao princípio constitucional da impessoalidade.
Propaganda oficial menciona valorização dos jovens assaienses como o ponto mais positivo, sendo aqueles responsáveis por desenvolver sistemas, plataformas e ferramentas próprias, colocando conhecimento e criatividade a serviço da cidade. No entanto, o banner revela a hierarquia real da comunicação: os jovens são a "prova viva" de que a gestão do prefeito é boa. Eles aparecem como instrumentos para validar a eficiência do prefeito, e não como protagonistas autônomos. A frase "Isso é Gestão..." anula o mérito coletivo e institucional, transferindo todo o crédito para uma única figura política.
Projetos estruturantes de Cidade Inteligente deveriam ser apresentados com a brasão do município, com a identificação da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI) e com uma linguagem neutra e republicana. Ao colocar o prefeito em primeiro plano e em tamanho destacado, a administração dá um tiro no próprio pé, pois em vez de transmitir segurança técnica (de que o projeto continuará independente de quem governar), ela transmite que o projeto é do prefeito, e não da cidade. Se ele sair, o projeto corre o risco de ser enterrado junto com a imagem dele.
Contexto eleitoral de 2026
Embora as eleições municipais tenham sido em 2024 e as próximas sejam em 2028, 2026 é ano de eleições para Governador, Presidente, Senado e Deputados. Prefeitos costumam ser líderes políticos regionais e lançam suas bases de apoio. Lançar uma campanha publicitária massiva com a cara do prefeito neste momento serve como um "cartão de visitas" para alianças futuras, utilizando a estrutura pública (servidores, impressão de banners, organização de eventos) para impulsionar a imagem do gestor perante a população e potenciais candidatos a cargos estaduais/federais. Isso caracteriza abuso de poder político e uso da máquina em favor da projeção pessoal.
Transparência
Enquanto o banner gasta tinta e espaço com a foto do prefeito e um slogan de efeito, o cidadão continua sem saber: Quanto custou a impressão e a divulgação desses banners? Qual o cronograma físico-financeiro de cada projeto? Dos sistemas, plataformas e ferramentas a ser desenvolvidos, o código-fonte será aberto (Open Source) para fiscalização? Quais os projetos de lei apresentados visando à institucionalizaççao de tais Projetos estruturantes? Qual o custo-benefício (ROI) e Custo Total de Propriedade (TCO) relacionados ao desenvolvimento de tais projetos?
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A prioridade orçamentária parece estar na auto-promoção, e não na transparência ativa.




