Norte do Paraná

Postado dia 29/01/2026 às 13:17:19

Do governo Ratinho Jr. e ligações com o crime organizado no Paraná

As privatizações realizadas pelo governo Ratinho Jr. no Paraná e a participação de empresas suspeitas em setores estratégicos do estado estão no centro das denúncias reveladas pela Operação Carbono Oculto, realizada no segundo semestre do ano passado

A investigação da Receita Federal, Polícia Federal e Ministério Público de São Paulo apontou fraudes bilionárias ligadas ao PCC e expõe brechas que permitiram a atuação de empresas como BK Bank, Banco Genial, Reag Investimentos e grupos envolvidos no Terminal PAR50 do Porto de Paranaguá em processos de licitação e concessão conduzidos pelo governo estadual

O deputado Arilson Chiorato, líder da oposição na Assembleia Legislativa, chegou a afirmar que o atual modelo de privatização e concessão abre espaço para pessoas não identificadas participarem de processos estratégicos. Para ele, a falta de transparência coloca em risco o patrimônio público do estado.

Entre os casos citados encontra o Terminal PAR50 do Porto de Paranaguá. Privatizado em 2023 por apenas um milhão de reais, foi revendido meses depois por R$ 36 milhões. Hoje o espaço faz parte de investigações como rota ilegal de entrada de metanol. O parlamentar lembrou ainda que já havia alertado sobre irregularidades no leilão, que contou com apenas um participante.

Outro exemplo se refere ao programa Comida Boa. O governo tinha contratado a fintech BK Bank para operar o cartão social de oitenta reais mensais destinado a famílias vulneráveis. A empresa recebeu cerca de R$ 120 milhões em contratos entre 2023 e 2024, e teria vencido nova licitação de aproximadamente R$ 100 milhões em 2025. A Polícia Federal investiga o banco por suspeita de ligação com o PCC. O contrato foi suspenso pelo governo após as denúncias

O Banco Genial também aparece nas investigações. Reportagem da Folha de S.Paulo mostrou que a instituição renunciou à gestão de fundos citados na operação, que teriam recebido recursos desviados ligados ao PCC. O mesmo banco assessorou a Copel durante o processo de privatização em 2023, o que levanta questionamentos sobre a segurança dos processos.

A Reag Investimentos, uma das maiores gestoras do país com quase R$ 300 bilhões sob administração, foi citada em reportagens da Folha de São Paulo e do Globo como alvo da operação. O deputado Arilson questionou quais garantias existem de que fundos desse porte, envolvidos em privatizações, não estejam influenciados por recursos ligados ao crime organizado.

Diante das revelações, o parlamentar pediu a suspensão imediata da venda da Celepar, empresa responsável por dados sensíveis dos paranaenses. Ele alertou que informações de saúde, segurança e registros pessoais não podem ficar sob controle de fundos sem transparência sobre seus investidores

O líder da oposição ainda enfatizou que o modelo atual de privatizações e concessões precisa ser revisto. Segundo ele, o compliance falhou e o Paraná necessita de respostas claras e medidas urgentes para evitar que processos estratégicos sejam contaminados por grupos criminosos.


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