Norte do Paraná

Postado dia 30/03/2026 às 19:07:52

Dos cargos de confiança, entre amigos do rei e pobres mortais

Na minha cidade, acho muito interessante quem defende cargos de confiança, ao argumento de que o nomeado se mostra bastante competente.  

Cabe então a pergunta: "ora, se o sujeito é assim tão competente, por que não coloca todo seu conhecimento e capacidade à disposição da iniciativa privada ou faça algo de extraordinário a partir do cargo que ocupa?"  

Na prática, há muita diferença entre o "amigo do rei" e os demais pobres mortais. Em verdade, nem sempre os mais qualificados terão oportunidade de mostrar suas capacidades. 

Na pequena cidade cujo maior empregador é a prefeitura, justamente aí que reside o problema. O critério da confiança pessoal se sobrepõe ao da transparência pública. O mérito vira retórica, enquanto a proximidade se torna regra.  

O resultado se evidencia um círculo vicioso, de mais de trinta anos. Os mesmos nomes circulam, os mesmos rostos se repetem, e a sociedade assiste a uma espécie de teatro em que competência é proclamada, mas raramente comprovada.  

Resta então a sensação de que o espaço público não representa campo aberto para talentos, mas território reservado para relações de conveniência, principalmente entre aqueles que empunham a mesma bandeira em período de campanha eleitoral.


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