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Política
Postado dia 22/04/2026 às 11:53:38
Chance de assumir vaga acelera corrida pela suplência no Senado
A disputa pelas vagas de suplente no Senado tem se intensificado em todo o país. Embora as cabeças de chapa ainda não estejam definidas, a corrida pela indicação para a 1ª ou 2ª suplência já começou. Estatísticas ajudam a explicar o motivo. Levantamento feito pelo UOL com registros oficiais do Senado mostra que 49 suplentes assumiram o posto em algum período entre 2019 e 2026.
Desde 2019, os suplentes promovidos se distribuíram pelas regiões brasileiras da seguinte forma: Norte (11), Nordeste (21), Centro-Oeste (7), Sudeste (8) e Sul (2). No Centro-Oeste, nomes como Margareth Buzetti, José Lacerda, Mauro Carvalho Junior, Rosana Martinelli e Fabio Garcia, todos de Mato Grosso, além de Pedro Chaves e Luiz Carlos do Carmo, de Goiás, figuraram entre os suplentes. No Sul, Irineu Orth (RS) e Ivete da Silveira (SC) também assumiram mandatos.
Em outubro, cada estado elegerá dois senadores, o que representa 54 vagas de um total de 81. Esse cenário torna a suplência ainda mais estratégica. Neste ano, a disputa chegou a ser pleiteada até mesmo por quem mora fora do país: Eduardo Bolsonaro pode ser indicado como suplente em São Paulo. Para isso, a Justiça precisaria considerar seu domicílio eleitoral e não seu atual endereço nos Estados Unidos, além de não julgá-lo em processo de coação.
Ainda em São Paulo, o ex-governador Márcio França é cotado para a suplência de Simone Tebet, ambos do PSB. Caso Tebet seja eleita e o presidente Lula conquiste mais um mandato, França assumiria o posto para que ela pudesse retornar ao ministério. Outro exemplo é o deputado federal Guilherme Derrite (PL-SP), bem posicionado nas pesquisas, que vê sua suplência como valiosa. O principal cotado para ocupar a vaga é José Vicente Santini, ex-assessor do governo Jair Bolsonaro, em um plano que prevê deixar o mandato para o suplente e buscar destaque em um eventual governo de Flávio Bolsonaro.
Na Bahia, a corrida pela suplência movimenta até mesmo a campanha para o governo estadual. Rui Costa articula lançar o nome de Ronaldo Carletto, presidente estadual do Avante, em troca do apoio da legenda à reeleição do petista Jerônimo Rodrigues.
Segundo o cientista político Marco Antonio Teixeira, da FGV-SP, é cada vez mais comum senadores deixarem o cargo de forma definitiva ou temporária para assumir postos em ministérios, tribunais de contas ou judiciais, como o STF, ou mesmo disputar outras eleições majoritárias, como para governos estaduais. Essas movimentações abriram espaço também para segundos suplentes, como Bispo José (AC), Lael Varella (MG) e José Lacerda (MT), que exerceram o cargo em períodos específicos desde 2019.
A história mostra que a suplência pode ser decisiva: Fernando Henrique Cardoso assumiu seu primeiro mandato de senador como suplente de Franco Montoro, que deixou o posto para se tornar governador de São Paulo. Desde a Constituição de 1988, os suplentes passaram a ser eleitos de forma conjunta, como “vices”, o que explica a relevância crescente dessas posições na política nacional.




