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Política
Postado dia 10/05/2026 às 11:47:06
Indefinição do PT em MG ameaça prejudicar nome em ascensão no partido
A indefinição do PT sobre a estratégia eleitoral em Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país, pode prejudicar um dos nomes com melhor desempenho na eleição de 2024: a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), pré-candidata ao Senado.
Com a provável negativa do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) em concorrer ao governo do Estado, os petistas mineiros cogitam lançar uma coligação sem candidato ao Palácio da Liberdade na cabeça de chapa, formada apenas por postulantes ao Senado e à Câmara dos Deputados. Nesse cenário, a responsabilidade de dar palanque ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Minas Gerais recairia sobre a pré-candidata ao Senado, que precisaria organizar sozinha a estrutura da campanha presidencial no Estado tido como termômetro nacional — afinal, como repetem os políticos mineiros, "quem ganha em Minas vence no Brasil".
A força eleitoral de Marília Campos
A aposta na ex-prefeita não é por acaso. Pesquisa Genial/Quaest divulgada no fim de abril mostrou Marília em primeiro lugar na corrida ao Senado, com 19% das intenções de voto, à frente do presidente do PSDB, Aécio Neves, que apareceu com 11%.
Além disso, Marília deixa um mandato municipal que a consolidou nacionalmente. Ela foi a prefeita mais bem votada do país inteiro em 2024, reelegeu-se em primeiro turno com expressivos 60,68% dos votos. Antes disso, ela já havia comandado Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, por outros três mandatos: além de 2020, também em 2004 — quando se tornou a primeira mulher a governar a cidade —, e em 2008.
Embate com Pacheco e o silêncio do senador
Inconformada com a indefinição, a petista adotou uma postura pública mais incisiva. Em um vídeo gravado nas redes sociais, Marília Campos cobrou diretamente de Rodrigo Pacheco que definisse sua situação no Estado.
Após o "puxão de orelha", o presidente do Senado ligou para a ex-prefeita, agradeceu pelas palavras, mas manteve o discurso de indefinição sobre seus planos políticos para 2026, deixando a petista no limbo estratégico.
PT dividido e o "palanque vazio" de Lula
Enquanto o PT enfrenta impasses internos, outra dificuldade adicional surge no campo aliado. O ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT), vem construindo uma candidatura de centro ao governo mineiro e prefere não colar seu nome ao do presidente Lula, o que reduz as opções de palanque para o petista no Estado.
Pesquisa Genial/Quaest também mostrou um cenário desanimador para Lula em Minas Gerais: 54% dos eleitores mineiros rejeitam a gestão do presidente, enquanto 44% aprovam. Na prática, enquanto Lula ainda busca um palanque, a direita já tem um "festival de candidatos" ao Palácio da Liberdade.
Dilema petista em 2026
No centro da equação está uma pergunta incômoda para o diretório mineiro do PT: vale a pena lançar uma candidatura própria ao governo para sustentar uma chapa completa e dar estrutura a Lula, mesmo com as dificuldades eleitorais que isso imporia? Ou a solução é abrir mão do Palácio da Liberdade para apostar todas as fichas no Senado com Marília e na reeleição do presidente?
Enquanto essa definição não chega, quem mais tem a perder é justamente o "raro nome em ascensão" do partido em Minas. Sem palanque e sem definição clara, a força eleitoral construída pela ex-prefeita ao longo de quatro mandatos em Contagem corre o risco de ficar subaproveitada — e Minas, de seguir sem um nome competitivo para enfrentar a direita no maior colégio eleitoral decisivo do país.




