Norte do Paraná

Postado dia 05/04/2026 às 19:54:08

Assaí celebra prêmios de 'cidade inteligente', e servidores sofrem humilhações

O município de Assaí (PR) coleciona dezenas de prêmios nacionais e internacionais. Foi a primeira cidade da América Latina a receber certificação de Comunidade Inteligente e figurou duas vezes no "Top 7" mundial. A prefeitura vende o "Modelo Assaiense de Inteligência Sustentável (MAIS)" como exemplo de inovação focada em desenvolvimento humano, com pilares como educação trilíngue desde a pré-escola, cursos de robótica, 100 bolsas universitárias anuais e programas de estágio para jovens. Mas essa fachada esconde uma realidade brutal para quem realmente mantém a cidade funcionando: os servidores públicos.

Enquanto o marketing institucional exalta a "conexão com o primeiro emprego", dentro da máquina municipal a lógica é outra. Servidores denunciam que não recebem hora extra nem possuem banco de horas. A licença-prêmio — direito adquirido — não é paga nem concedida para usufruto; na aposentadoria, o funcionário simplesmente perde o benefício. Não há promoção horizontal nem vertical, com os prazos sendo sistematicamente descumpridos — ano passado não houve nenhuma movimentação, e o prazo de abril já é dado como certo que será mais uma vez ignorado.

O tratamento desigual escancara o assédio moral institucional. Servidores que apresentam atestado médico precisam se humilhar: o médico é obrigado a escrever justificativa detalhada além do CID para que uma "comissão" municipal decida se aceita ou não o documento. Já os "amigos" do círculo de confiança podem faltar a qualquer hora sem qualquer consequência. A mensagem é clara: não há dinheiro para garantir direitos básicos dos servidores, mas há verba abundante para viagens internacionais em busca de prêmios inúteis.

Uma cidade verdadeiramente inteligente não se constrói com robótica na pré-escola enquanto humilha seus funcionários públicos. Inteligência sustentável de verdade respeita licença-prêmio, paga horas extras, promove quem merece e trata todos com dignidade — independentemente de terem ou não "amizade" com o chefe. Enquanto Assaí continuar gastando para "brilhar" no exterior e ignorando as condições desumanas dentro de casa, sua "máxima" não passará de propaganda enganosa. 


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