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Norte do Paraná
Postado dia 24/08/2026 às 12:54:12
Jessicão e Ricardo Arruda representam bolsonarismo raiz no Paraná
A campanha eleitoral no Paraná ganhou um novo capítulo de radicalização política com a dobradinha entre a vereadora londrinense Jéssica Ramos Moreno, a Jessicão (PL) e o deputado estadual Ricardo Arruda (PL). Ela, candidata a uma vaga na Assembleia Legislativa, e ele, que tenta migrar para a Câmara Federal, uniram forças em torno do que definem como “bolsonarismo raiz” – uma linha dura que rejeita concessões ao centrão e pauta bandeiras como família, armas, liberdade econômica e combate à chamada “ideologia de gênero”. A aliança estratégica, no entanto, vai além da afinidade ideológica: Jessikão mira o eleitorado conservador de Arruda, enquanto o deputado ocupa o espaço deixado por Filipe Barros (PL), também de Londrina, que neste ano concorre ao Senado. Com atuações que provocam amor e ódio, os dois se consolidam como a face mais combativa e intransigente da direita paranaense.
Jessicão: a voz da resistência contra pautas identitárias
Vereadora por Londrina desde 2021, Jessicão construiu sua imagem com base em embates diretos contra o que chama de “ativismo mimizento”. Sua trajetória ganhou projeção nacional em fevereiro de 2026, quando tentou barrar, por meio de ofício e articulação política, a participação da jogadora trans Tifanny Abreu, do Osasco, na Copa Brasil de Vôlei Feminino, sediada em Londrina. O argumento – baseado em interpretação de regras esportivas e em supostos “riscos à integridade das atletas” – foi rechaçado pela Confederação Brasileira de Voleibol e pela organização do evento, mas rendeu a Jessicão a pecha de “transfóbica” entre grupos progressistas e o status de heroína para eleitores ultraconservadores. A vereadora, que já havia se destacado por projetos que restringem linguagem neutra em escolas e que incentivam o porte de armas para agentes de segurança, agora tenta levar esse discurso intransigente para o Legislativo estadual. “Não vou me curvar à pauta identitária que destrói a família e o esporte”, disse em rede social, após o episódio. Seus adversários a acusam de usar o cargo para caça a votos; seus apoiadores a veem como a única que “enfrenta o sistema” sem meias-verdades.
Ricardo Arruda: o herdeiro da ala radical em busca de novo palco
Deputado estadual desde 2019, Ricardo Arruda sempre teve como marca a polarização. Autor de projetos que incentivam a autodefesa armada, ele construiu uma base fiel em Londrina e no interior do estado. Com a ida de Filipe Barros para a disputa ao Senado, Arruda enxergou uma abertura no eleitorado mais radical que antes se concentrava no nome do colega de partido. A dobradinha com Jessicão é, nesse sentido, uma jogada de xadrez: enquanto ela herda seu eleitorado na corrida estadual, ele tenta capitalizar o voto dos que se sentem órfãos de Barros na disputa para a Câmara Federal. Sua atuação, porém, não é menos polêmica. Em 2025, Arruda foi criticado por associar movimentos indígenas a “grupos financiados pelo exterior” e por defender a intervenção militar para “garantir a ordem” em protestos de sem-terra. Para aliados, é a coerência de um homem que “não negocia princípios”. Para críticos, é o discurso de um radical que flerta com o autoritarismo. “Ricardo Arruda é o bolsonarismo sem filtro – e é exatamente isso que o torna relevante”, resume um cientista político da UEL (Universidade Estadual de Londrina), sob condição de anonimato. Na reta final da campanha, a dupla promete intensificar ataques ao “establishment” e ao “judiciário ativista”, confiante de que o confronto – mais do que a proposta – seguirá sendo seu maior trunfo.




