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Política
Postado dia 17/09/2026 às 17:54:24
França pode eleger sua primeira mulher presidente em 2027
A advogada Marine Le Pen, de 58 anos de idade, da extrema-direita, lidera com folga as pesquisas, com intenções de voto entre 34% e 36% no primeiro turno, enquanto seus principais adversários oscilam entre 14% e 20%. A poucos meses do pleito, a pergunta deixou de ser se ela pode vencer, mas se alguém será capaz de detê-la.
O histórico de Le Pen nas urnas mostra uma trajetória de crescimento constante. Em 2012, sua primeira candidatura, obteve 17,9% no primeiro turno e ficou em terceiro lugar. Em 2017, avançou ao segundo turno, onde foi derrotada por Emmanuel Macron com cerca de 34% dos votos. Em 2022, chegou novamente à final, repetindo a derrota para Macron, mas ampliando seu eleitorado . Desta vez, porém, ela chega como favorita e sem o desgaste de um adversário incumbente — Macron não pode concorrer a um terceiro mandato.
Suas principais promessas miram o eleitorado popular e a classe média em queda de poder de compra. No centro de seu projeto está o logement (habitação), que ela descreve como “o grande canteiro de obras” de seu eventual mandato. Le Pen promete “prioridade nacional” no acesso à moradia social e aos auxílios (APL) para franceses, a revogação da lei SRU (que obriga municípios a ter cotas de habitação social) e o fim das restrições baseadas no DPE (diagnóstico de eficiência energética) que impedem o aluguel de imóveis antigos. No plano econômico, defende aumento de 10% nos salários, revalorização das aposentadorias e corte de impostos sobre empresas, numa tentativa de conciliar apelo popular com sedução ao patronato.
O eleitorado que a apoia é cada vez mais amplo. Tradicionalmente ancorada nas classes populares e na juventude, especialmente masculina, Le Pen agora avança sobre aposentados e setores de renda média — grupos historicamente mais resistentes à extrema-direita . Pesquisas indicam que, num eventual segundo turno, uma maioria de aposentados poderia votar nela, o que representaria uma virada simbólica e decisiva.
Enquanto isso, a esquerda segue fragmentada, o que favorece Le Pen. Ségolène Royal, única mulher a chegar ao segundo turno na Quinta República (em 2007), disputa a primária socialista marcada para outubro. Marine Tondelier, líder dos Ecologistas, também é candidata e insiste que “ninguém vencerá sozinho”, pressionando por uma primária ampla da esquerda. Se o campo progressista não se unir, o caminho para Le Pen na segunda volta fica consideravelmente mais curto




